19/03/2010

Compartilhamento Musical 20

Oi, gente!

Finalmente o violão aparece nos Compartilhamentos Musicais! Fiquei muito feliz em achar uns vídeos de um festival de violonistas virtuosos que aconteceu em 2008 na Rússia. Puxa, como admiro composições bem escritas para esse instrumento! Os músicos aqui estão excelentes também!

Pablo Sáinz Villegas, violonista espanhol, toca Astúrias (Leyenda), da Suíte Espanhola Opus 47 do compositor também espanhol Isaac Albéniz. A peça foi originalmente escrita para piano, como boa parte da obra do compositor, mas é na versão para violão que é mais conhecida.



Artyom Dervoed, violonista russo, toca dois estudos do nosso compositor Heitor Villa-Lobos. Estudos são obras que têm por finalidade o aperfeiçoamento da técnica de execução. O desafio do compositor é escrever algo que sirva a esse propósito, mas que também soe musical. Dervoed nos brinda com os estudos números 7 (início) e 12 (começando em 1:57) do “Villa”.



O russo Dimitri Illarionov toca uma valsa lindíssima, Valse en Skäi, do compositor Tunísio-Francês Roland Dyens. Se eu entendi bem, o termo “skäi” é uma gíria francesa que significa “imitação de couro”, mas aqui faz alusão às roupas dos habitantes da Argentina e do sul do Brasil (gaúchos).



Gente, que obras bem executadas! Aproveitem!
Renato

21/02/2010

Compartilhamento Musical 19

Oi, gente!

A pedido de uma leitora do blog, que deixou um comentário após ler o Compartilhamento Musical 4, resolvi postar mais uma peça para flauta-doce (desta vez, para flauta-doce contralto).

Georg Philipp Telemann foi um compositor muito versátil. Escreveu todo (ou quase todo) tipo de música durante o período Barroco e viveu até o início do Classicismo. Consta no Guinness, o livro dos recordes, que ele foi o compositor mais prolífico (o que produziu mais obras) de todos os tempos. Telemann foi um compositor que certamente não desprezou a flauta-doce em sua obra. Já ouvi quem dissesse que ele foi o compositor que mais escreveu para esse instrumento. Gostaria de confirmar isso, mas será preciso uma pesquisa mais profunda. De qualquer forma, é mais importante mencionar que ele é um compositor respeitadíssimo e digno de destaque como seus contemporâneos Bach e Handel.

Hoje quero compartilhar com vocês uma fantasia, que é um gênero musical bem livre. Isso quer dizer que não tem uma forma musical rigidamente determinada. Para se ter uma idéia, a fantasia tem suas raízes no improviso. Originalmente, Telemann escreveu suas Doze Fantasias (TWV 40:2-13) para flauta transversa, mas era comum no barroco tocar obras para traverso usando flauta-doce, transpondo a música uma terça menor acima. Trocando em miúdos, uma flauta-doce não toca as mesmas notas de uma flauta transversa; há então a necessidade de fazer tal modificação. Você escuta a mesma música, só que em outra tonalidade e com outro instrumento. A Fantasia No. 3 tem basicamente duas partes. A primeira alterna entre ritmos lentos e rápidos (0:00 Largo, 0:30 Vivace, 1:30 Largo, 2:00 Vivace), coisa costumeira nas fantasias compostas durante o Barroco. A segunda é um Allegro (2:47).

Quem nos brinda com sua ilustre presença hoje é Frans Brüggen. Após concluir seus estudos, foi importantíssimo na propagação da flauta-doce, sendo considerado em seu tempo o mais famoso flautista-doce (se é que esse termo existe). Em 1981 fundou a Orquestra do Século XVIII, especialista em repertório dos séculos XVIII e XIX, com instrumentos de época ou cópias modernas de modelos de época. Hoje ele concentra suas atividades como regente.

Já comentei uma vez, no Compartilhamento Musical 5 (suíte para violoncelo solo, de Bach), e volto a comentar aqui. Quando uma peça para instrumento solo é bem escrita, de fato não há necessidade de acompanhamento. Perceba como a música se sustenta em seu contexto próprio e você não sente falta de mais nada. Aproveite!



Abraço,
Renato

28/01/2010

Compartilhamento Musical 18

Extra: Lançado o Blog dos Compartilhamentos Musicais!

Oi, gente!

Finalmente o blog está no ar! A partir de hoje, você pode ler os Compartilhamentos Musicais diretamente no blog.

Eu queria compartilhar algo peculiar para a ocasião de inauguração do blog e estava sem idéias adequadas, quando resolvi procurar o Germano Ribeiro, meu colaborador técnico. Imediatamente ele respondeu “Compartilha uma ‘abertura’.” Lógico! Nada melhor que uma abertura para “abrir” algo! O próximo desafio foi achar a obra certa. Eu gostaria de algo “leve”. Foi quando lembrei-me de minha infância e veio à memória a Abertura da Ópera Gilherme Tell, de Rossini.

Uma abertura é uma introdução instrumental a uma peça coral ou dramática, óperas, balés... No século XVIII, algumas aberturas tinham a finalidade de chamar a atenção da platéia, que costumava conversar enquanto a música já estava tocando – coisa inimaginável para os padrões de hoje em dia nas grandes salas de concerto. Nas aberturas, geralmente anuncia-se temais musicais que serão ouvidos durante a obra. O gênero desenvolveu-se e há também aberturas que não são designadas para introduzir uma obra, antes constitui-se uma peça de concerto independente.

Gioachino Rossini (1792-1868) escreveu 39 óperas. Algumas bem conhecidas são ‘O Barbeiro de Sevilha’, ‘A Cinderela’ e ‘Guilherme Tell’, cuja abertura escolhemos para a inauguração do blog. Devido a limitações do site de compartilhamento de vídeos que uso como apoio, a música teve de ser seccionada em dois arquivos de vídeo. Há quatro partes na abertura:
  • Prelúdio [início do 1º vídeo] – uma passagem lenta, começando com um trecho para 5 violoncelos
  • Tempestade [1º vídeo 2:37] – segmento genial em que se pode ouvir trovões, chuva forte e rajadas de vento pela orquestra toda
  • Chamado às vacas [início do 2º vídeo] – após a tempestade, a trompa inglesa evoca uma cena pastoral bucólica; uma flauta faz um pássaro
  • Final [2º vídeo 2:30] – mundialmente conhecido como a música da cavalaria chegando
Há vídeos com qualidade de imagem e som melhores do que o que escolhi, mas fiz questão de apresentar Claudio Abbado, importantíssimo regente italiano. Ele apresenta “nossa” abertura com a prestigiosa Orquestra Filarmônica de Berlin. O vídeo ao vivo traz a atitude que quero ter com este blog: ao mesmo tempo que pretendo apresentar a música do modo mais sério, correto, possível, quero dar leveza a tudo quando for possível.





E para concluirmos nossa inauguração, convido um camundongo bem conhecido, especialmente da infância de vários de nós, para reger Rossini... isto é, se um pato, também bem conhecido, não atrapalhar muito! O filme é de 1935 e muitos de nós vamos lembrar da tempestade que foi aquele concerto! (Consta que o grande maestro Arturo Toscanini viu o filme em um cinema e gostou tanto que subiu à sala de projeção para solicitar um “bis”.)



Vida longa a este espaço musical!

Abraço,
Renato
P.S.: Se você quer explorar o blog e não sabe como, clique aqui.

25/12/2009

Compartilhamento Musical 17

No Natal do ano passado compartilhei a empolgante abertura do Oratório de Natal de Johann Sebastian Bach, BWV 248. Neste ano, continuaremos com a mesma obra. Desta vez, estou postando um trecho da segunda cantata do Oratório, que descreve a anunciação dos anjos aos pastores. Escolhi a abertura instrumental, uma “sinfonia” pastoral, na qual os oboés d’amore e os oboés da caccia fazem parte de uma orquestração que simboliza os pastores nos campos guardando seus rebanhos. A música é uma espécie de prelúdio para a anunciação dos anjos em seguida: “...é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lucas 2.11)

Já disse em outros CMs que gosto de ter a liberdade de visualizar coisas na música. Antes de ler a respeito da instrumentação desta “sinfonia” e de sua finalidade, sempre a ouvi com uma interpretação pessoal bem peculiar - como uma canção de ninar para o menino Jesus. Seu ritmo “ternário” (tecnicamente, é 12/8) sempre me pareceu embalar o sono do Rei na manjedoura. Ao mesmo tempo, dentro desta interpretação bem diferente, essa não é uma canção de ninar convencional: A música chega a ter graus de tensão que me projetam para o ministério de Cristo na sua paixão... Em outras palavras, em alguns momentos (um leve mistério em 0:53, que vai se desenvolvendo aqui acolá e tem clímax de tensão entre 2:55 e 3:31), consigo perceber uma espécie de prenúncio da cruz já no berço do Salvador recém chegado ao nosso mundo.

Aproveitem esse trecho belíssimo na interpretação de Nikolaus Harnoncourt regendo a Concertus Musicus Wien.



Grande abraço!
Renato

P.S.: Para os mais curiosos, percebam os dois tipos de oboé que Bach escolheu para orquestrar esse trecho. Em 0:43, você pode ver os oboés do tipo d’amore (do amor), um pouco maior e com um timbre mais suave que o do oboé comum. Em 3:52, há um trecho significativo em que aparecem os oboés do tipo da caccia (da caça). Os oboés da caccia desapareceram de circulação após o período barroco. Tudo indica que apenas dois sobreviveram e que foram usados para reconstruir o instrumento na década de 70, quando o próprio Nikolaus Harnoncourt, juntamente com Gustav Leonhardt e outros, encabeçava o movimento de música com instrumentos autênticos. Segundo li, Harnoncourt encomendou oboés da caccia para sua primeira gravação do Oratório de Natal em 1973.

21/09/2009

Compartilhamento Musical 16

Oi, gente! Hoje apresento a vocês o quarteto de cordas!

A configuração com dois violinos, uma viola e um violoncelo é uma das mais importantes da música de câmara. O compositor austríaco Joseph Haydn (1732-1809) é considerado o pai dessa formação, bem como um mestre no gênero.

Li uma vez que escrever um quarteto de cordas é um verdadeiro teste para o compositor. O fato de haver apenas quatro instrumentistas limita as possibilidades sonoras, forçando a música a sustentar-se mais na genialidade da composição em si do que nas potencialidades de uma orquestra, que, naturalmente, tem maior colorido de sons. Haydn iniciou uma gênero de composição que perdura até hoje. Ele era tão respeitado, que o grande Mozart não apenas tocou alguns quartetos com ele, mas também lhe dedicou seis dos que compôs – isso num período em que as dedicatórias eram geralmente dirigidas a aristocratas.

Na época de Haydn, os quartetos de cordas costumavam se estruturar da seguinte forma – quatro movimentos, dos quais o primeiro e o quarto eram rápidos, o segundo era lento e o terceiro costumava ser uma dança (minueto, scherzo, etc.). Hoje compartilho o último movimento do Quarteto de Cordas Opus 76, No. 5, obra escrita quando Haydn já era um compositor famoso, na interpretação do Quarteto Ysaÿe.



Grande abraço!
Renato

P.S.1: A tempo, adaptado da Wikipedia:

Música de câmara refere-se a música erudita composta para um grupo pequeno o suficiente para acomodar-se nas câmaras de um palácio. Atualmente, é considerada qualquer música executada por um pequeno número de músicos, podendo um deles ter maior destaque. A palavra câmara significa que a música pode ser executada em salas pequenas, geralmente com uma atmosfera mais íntima. Entre os seus gêneros mais importantes estão o "quarteto de cordas", "quinteto de sopros" e de "metais", dentre outras diversas combinações de instrumentos.


P.S.2: Se você gostou do quarto movimento e quer ouvir o restante do quarteto, eis os links:

Primeiro movimento
http://www.youtube.com/watch?v=fi0fR26AVEU

Segundo movimento
http://www.youtube.com/watch?v=VbO6Mx6e-ck

Terceiro movimento
http://www.youtube.com/watch?v=Txy1PAEyJEM

02/08/2009

Compartilhamento Musical 15 (1 ano!!!)

(Edição Comemorativa de Aniversário)

No dia 1 de agosto de 2008, enviei o primeiro Compartilhamento Musical a cinco amigos. A coisa cresceu! Um ano depois, temos uma lista de emails com 167 destinatários e sei que alguns destes re-enviam os CMs a vários outros. Para comemorar um ano de CM, achei uma boa idéia revisitar a mesma obra que compartilhei no início: a Paixão Segundo Mateus, de Johann Sebastian Bach.


Uma “paixão” é uma composição musical sobre o sofrimento de Jesus Cristo. Várias “paixões” foram compostas, mas indubitavelmente a “Matthäuspassion” de Bach é a mais famosa e respeitada. O texto-base é o Evangelho Segundo Mateus. Um tenor, designado “evangelista”, narra os eventos bíblicos em estilo recitativo, que soa como algo entre o canto e a fala. Os solistas cantam as palavras de vários personagens bíblicos. Além disso, há também textos intercalados, cantados pelos solistas, que interpretam ou aplicam de modo pessoal as passagens narradas nos recitativos. Quando há vários falantes, o coro entra em ação, ora participando da narrativa bíblica, ora comentando-a.

No trecho que compartilho hoje, Jesus havia sido preso e levado à casa do sumo-sacerdote, onde procuravam condená-lo à morte. Do lado de fora, Pedro o segue de longe, quando desconfiam que ele é um dos discípulos. Pedro nega que é seguidor de Cristo e o galo canta, conforme Jesus havia predito. Pedro se retira e chora amargamente, arrependido.

A narrativa acima é apresentada em forma de recitativo, mas quero focar mesmo é no que acontece em seguida. Uma voz de contralto canta como se fosse o pranto de Pedro após negar a Cristo. É a ária Erbarme dich (Tem misericórdia de mim). Trata-se de um dos momentos mais marcantes da obra. A música é tão intensa que às vezes, quando escuto a introdução do violino solista, começo a olhar para dentro de mim e me confrontar. Eu diria com firmeza que é um dos momentos mais sublimes de toda a história da música. Você pode perceber um pouquinho da solenidade desse trecho no semblante de alguns músicos da orquestra no vídeo, logo após o evangelista cantar as palavras “...e chorou amargamente”.

Boa reflexão!



Evangelista – Jörg Dürmüller (tenor)
Pedro – Klaus Mertens (baixo)
Criada 1 – Cornelia Samuelis (soprano)
Criada 2 + solista em Erbarme dich – Bogna Bartosz (contralto)
Violinista – Alida Schat
The Amsterdam Baroque Orchestra & Choir
Regente: Ton Koopman (ao órgão)

Em breve, teremos o Blog dos Compartilhamentos Musicais! Enquanto contamos os dias para o lançamento, você pode enviar comentários por email sobre qualquer CM que apreciou.

Grande abraço!
Renato

P.S.: Retirei o trecho abaixo da Wikipedia para quem quiser saber o que é uma ária.

Uma ária, no sentido restrito, é qualquer composição musical escrita para um cantor solista, tendo quase o mesmo significado de canção. Geralmente (mas não necessariamente) usa-se o termo "ária" quando está contida dentro de uma obra maior, como uma ópera, cantata ou oratório e "canção" quando é uma peça avulsa. No sentido amplo, uma ária pode ser destinada a mais de um cantor: para dois cantores, chama-se duo ou dueto; para três, trio ou terceto, para quatro, quarteto e assim sucessivamente. Por exemplo, Bach chamou o duo de tenor e contralto (Wie selig sind doch die) da Cantata BWV 80 de Ária.

No Barroco, esse termo também era usado para designar peças instrumentais, para orquestra ou solista, que constituíam parte de uma suíte. Um dos exemplos mais famosos é a Ária da Suíte nº 3 para orquestra (Ária da 4ª Corda), de Johann Sebastian Bach.

23/07/2009

Compartilhamento Musical 14

Oi, gente!

Hoje gostaria de compartilhar o Concerto para clarineta, em Lá Maior, K 622, de Wolfgang Amadeus Mozart.

Na época de Mozart, a clarineta ainda era novidade. Uma vez li que, a partir de 1780, era o instrumento favorito de Mozart, embora não ponha minha mão no fogo quanto à credibilidade desta afirmação. Mesmo assim, é difícil negar que Mozart tinha certa fascinação pelo instrumento. Em correspondência com seu pai, Leopold, Mozart escreveu “...se ao menos tivéssemos clarinetas! O senhor não imagina que grande efeito tem uma sinfonia com flautas, oboés e clarinetas!” Além disso, Wolfgang se tornou amigo íntimo de Anton Stadler, clarinetista austríaco para quem Mozart escreveu o concerto, em 1791. A estréia ocorreu em outubro, dois meses antes da morte de Mozart. Trata-se de sua última obra instrumental.

O vídeo que compartilho hoje é o terceiro movimento do concerto. O solista é o sueco Martin Fröst, novidade para mim e agradável surpresa. Interpretação excelente!



Dedico este CM a Karine e Rafael, clarinetistas na VI Semana de Música Sacra no Seminário Batista do Cariri.

Grande abraço,
Renato
P.S.: Em breve: inauguração do Blog dos Compartilhamentos Musicais!

15/07/2009

Compartilhamento Musical 13

Oi, gente!

Abram alas! Beethoven adentra os Compartilhamentos Musicais!

Uma das grandes contribuições de Ludwig van Beethoven para a música foram suas 32 sonatas para piano. São obras tão importantes do repertório pianístico, que Hans von Bülow, famoso regente alemão do século XIX, sugeriu que O Cravo Bem Temperado, de Johann Sebastian Bach, era o “Antigo Testamento” da música para teclado e as 32 sonatas para piano, de Beethoven, eram o “Novo Testamento”. Exageros à parte, não tem como não se apaixonar por essas obras!

A que compartilho hoje é a popular “Sonata ao Luar” ou, oficialmente, Sonata Opus 14, em dó sustenido menor, “Quasi una fantasia”. Sinto trazer a notícia, mas o título “ao luar” não foi dado por Beethoven. Um tal de Ludwig Rellstab, poeta e crítico musical, inventou de dizer, em 1832 (anos após a composição da sonata, em 1801), que o primeiro movimento da sonata parecia com o luar banhando as margens do Lago Lucerna. Outros relacionam este primeiro movimento ao sentimento de Beethoven quando da morte prematura de certo amigo, o que é uma idéia provavelmente mais próxima da verdade, pois há anotações musicais de Beethoven para a sonata que fazem referência ao trecho da morte do Comendador, em Don Giovanni. Quem conhece esta parte da ópera de Mozart, vai perceber muita semelhança entre a sonata e a ópera, inclusive na tonalidade. E como não mencionar que Beethoven dedicou a sonata para a Condessa
Giulietta Guicciardi, por quem se apaixonou após dar algumas lições de piano, pedindo-a em casamento! Seus pais negaram o pedido e Giulietta casou-se com outro, o que decepcionou Ludwig profundamente.

Quem interpreta a sonata no vídeo abaixo é o grande Wilhelm Kempff (1895-1991), alemão respeitadíssimo por suas interpretações de Beethoven. Ele gravou as 32 sonatas de Beethoven quase três vezes na íntegra! A primeira, quase completa, entre 1926 e 1945; a segunda, considerada sua melhor gravação da integral das sonatas, entre 1951 e 1956; a terceira, em estéreo, entre 1964 e 1965. Na ocasião da comemoração de 100 anos Kempff, consegui obter o segundo dos “sets” acima!

Além de ser a estréia de Beethoven no CM, também é a primeira vez que compartilho uma obra na íntegra, ou seja, apresento todos os movimentos. Aproveitem!

I – Adagio sostenuto: Beethoven escreveu indicações técnicas para que este movimento fosse tocado do modo mais suave possível. Durante boa parte dele, a mão esquerda toca um baixo em oitavas, enquanto a mão direita toca um acompanhamento em quiálteras (três notas para um tempo) e a melodia. Não recordo quem mencionou que tocar este movimento ao piano era de responsabilidade equivalente à de um ator interpretar o solilóquio “Ser ou não ser...”, do Hamlet de Shakespeare, no palco.




II – Allegretto: Trata-se de um minueto e um trio, formas antigas de danças. Liszt descreveu este movimento como “uma flor entre dois abismos”. E você, o que “vê” aqui?



III – Presto Agitato: É o mais “pesado” e dramático dos três movimentos. Kempff não gostava de tocar rápido demais só por tocar rápido demais. Ele preferia extrair o lirismo da música. Já vi outras interpretações mais “furiosas” deste Presto Agitato, mas Kempff, com sua moderação, consegue extrair da música uma dose certa dessa tempestade de emoções.



Grande abraço,
Renato

09/07/2009

Compartilhamento Musical 12

Oi, gente!

Estou "inspiradíssimo"! Acabei de participar da VI Semana de Música Sacra no Seminário Batista do Cariri e preparamos a Cantata "A Felicidade do Perdão", com música composta / arranjada pelo Pr. Carlos Renato de Lima Brito. É muito bom participar de um evento assim, sobretudo porque nos leva a oferecer boa música como louvor a Deus.

Ainda contagiado por esse evento, resolvi postar hoje o último movimento da Sinfonia No. 5, Op. 107, de Felix Mendelssohn Bartholdy. A Sinfonia 'Reforma' foi composta em 1832 para a comemoração dos 300 anos da Confissão de Augsburgo, documento que foi essencial na Reforma Protestante.

No quarto movimento, que apresentamos aqui, Mendelssohn baseia-se no hino composto por Lutero, 'Ein' feste Burg ist unser Gott', conhecido em português como 'Castelo Forte é Nosso Deus'. No decorrer da música, há também material do primeiro movimento da sinfonia. Meldelssohn termina a peça com uma vigorosa versão deste belo coral luterano. Esplêndido!

A interpretação é da Orquestra de Câmara [!] da Rádio Holandesa, com Ton Koopman regendo. Em outra oportunidade, falo mais sobre o próprio Mendelssohn, figura importantíssima para a história da música. Após minha assinatura, abaixo, copio a letra da versão em português do hino 'Castelo Forte'.



* Obs.: O som deste vídeo está um pouco baixo. Aumente o volume um pouco mais que o habitual.

Grande abraço.
Renato

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Castelo forte é nosso Deus.
Espada e bom escudo,
Com seu poder defende os seus
Em todo transe agudo.
Com fúria pertinaz
Persegue Satanás,
Com artimanhas tais
E astúcias tão cruéis,
Que iguais não há na terra.

A nossa força nada faz,
Estamos, sim, perdidos;
Mas nosso Deus socorro traz
E somos protegidos.
Defende-nos Jesus,
O que venceu na cruz,
Senhor dos altos céus;
E, sendo o próprio Deus,
Triunfa na battalha.

Se nos quisessem devorar
Demônios não contados,
Não nos podiam assustar,
Nem somos derrotados.
O grande acusador
Dos servos do Senhor
Já condenado está;
Vencido cairá
Por uma só palavra.

Sim, que a palavra ficará,
Sabemos com certeza,
E nada nos assustará
Com Cristo por defesa.
Se temos de perder
Os filhos, bens, mulher,
Embora a vida vá,
Por nós Jesus está,
E dar-nos-á seu reino.

15/05/2009

Compartilhamento Musical 11

Oi, gente!

Faz tempo que corro atrás deste concerto para compartilhar com vocês, mas só agora consegui achar um vídeo apropriado. Trata-se do Concerto para Dois Violoncelos, em sol menor, RV 531, de Antonio Vivaldi.

Aqui não estou usando o termo “concerto” como um evento de música erudita, como se usa, por exemplo, em “Vamos hoje a um concerto!”. Refiro-me a um gênero musical específico em que um instrumento solista (ou um grupo de instrumentos) dialoga, debate, ‘briga’ (significado do termo latino ‘concertare’) com o restante da orquestra.

Neste concerto de Vivaldi, há dois solistas. Você pode notar que há um embate entre eles e o restante da massa orquestral (por exemplo, no trecho que se inicia em 0:24 no vídeo abaixo). Se prestar bem atenção, vai perceber que os dois solistas também ‘trocam idéias’ entre si (por exemplo, em 1:01).

Geralmente, um concerto barroco tem três partes, chamadas de “movimentos”. Comumente, o primeiro movimento é rápido, o segundo é lento e o último também é rápido. Hoje compartilho o primeiro movimento do RV 531, cheio de vigor, interpretado por um grupo que acabei de descobrir: “Apollo’s Fire”, uma orquestra barroca de Cleveland, nos EUA, regida (do cravo) pela maestrina Jeannette Sorrell. Os dois solistas são René Schiffer e Mime Yamahiro Brinkmann, também novidades para mim: uma agradável surpresa, uma empolgante interpretação!

Pessoalmente, costumo ouvir concertos me perguntando sobre a interação entre o(s) solista(s) e o resto da orquestra. O que estes dois violoncelos estão dizendo? Será que eles estão protestando contra algo? Será que estão buscando ajuda da orquestra? Será que estão alegremente compartilhando uma boa notícia? Ou será que estão exortando moralmente os outros músicos? E a orquestra? Será que eles estão concordando com os solistas? Discordando? Demonstrando compaixão? Condenando? Fica o desafio: Aqui, você pode dar asas à sua imaginação!



* Obs.: A imagem e o som não são 100%, mas é possível aproveitar bem este vídeo. Aumente o som um pouco mais que o habitual.

Amo muito o som do “cello” e gostaria muito de saber tocá-lo bem. Mas já que isso não acontece, aproveito esta jóia do barroco italiano!

Abraço,
Renato

03/05/2009

Compartilhamento Musical 10

Oi, gente!

Ano passado Deus me deu o privilégio de passar um mês de estudos na Finlândia. Quando me deparei com as florestas, os lagos, a neve, pude entender um pouco o que motivava Jean Sibelius (1865-1957), compositor queridíssimo dos finlandeses e de tantos outros povos também! Ele foi um dos mais populares compositores do final do século XIX e início do século XX, bem como foi importantíssimo para a formação da identidade nacional finlandesa.

A obra que compartilho hoje chama-se
Finlandia (Opus 26). Trata-se de um poema sinfônico escrito em 1899 para comemorações da Imprensa - um protesto contra a crescente censura imposta pelo Império Russo. A música contém momentos bastante instigantes e turbulentos, evocando a luta nacional do povo finlandês. Mas em direção ao fim, uma melodia serena traz calma à orquestra. Sibelius porsteriormente transformou esse trecho belíssimo em uma obra separada, com letra escrita por Wäinö Sola. A versão mais conhecida hoje foi escrita por Veikko Antero Koskenniemi e estreou em 1941. A música cativou o povo finlandês de tal forma que até hoje muitos consideram esta parte de Finlandia como o hino nacional, embora a Finlândia já tenha o hino Maamme como oficial.

Há um hino cristão bastante popular cuja letra freqüentemente se canta em inglês seguindo a melodia
Finlandia. "Be Still My Soul" é cantado na igreja batista que freqüento em Fortaleza com uma versão em português cuja letra disponibilizo ao fim deste Compartilhamento.

Vale à pena conferir este vídeo de Sakari Oramo, regente finlandês nascido na capital, Helsinki. Ele rege a Orquestra Sinfônica da Radio Finlandesa em visita a Tokio em 2005 (daí algumas legendas em japonês). O hino belíssimo de que falei acima começa aos 5 minutos e 11 segundos, anunciado pelas flautas e oboés.

Aproveitem!



* Obs.: O som está um pouco fraco. Vale à pena aumentar o volume um pouco mais que o habitual.

Grande abraço.
Renato
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“Descansa em Mim”, sussurra ao meu lado
A doce voz do meu Pastor Jesus
Todo o meu ser em Suas mãos entrego
Ele é fiel e nunca mudará
Descanso em Ti! És meu melhor amigo
E ternamente me conduzirás

“Descansa em Mim”, convida a Rocha eterna
“Firmado em Mim não tens o que temer”
As tempestades aos Seus pés se acalmam
Como no tempo em que Ele aqui viveu
Descanso em Ti, pois traças meu futuro
E triunfante sempre me guiarás

“Descansa em Mim, já vem chegando o dia
De para sempre unir-te ao teu Deus”
Em plena luz, enxergaremos tudo
Que aos nossos olhos hoje oculto está
Tristezas, dores, nem serão lembradas
No Lar perfeito, ao qual nos chamarás!

(versão: Kelso Clark Nunes)

21/04/2009

Compartilhamento Musical 9 (o retorno)

Oi, gente. Estou vivo!

Lamento o Compartilhamento Musical ter ficado parado por quase quatro meses. Meu computador quebrou de vez e só agora consegui outro. Sem mais delongas, voltemos a compartilhar.

Nelson Freire é um pianista brasileiro aclamado no mundo todo. Recentemente comprei um CD dele com os dois concertos para piano e orquestra de Brahms. No encarte, a crítica tece altíssimos (e emocionadíssimos) elogios a este homem tímido e introspectivo. Já o ouvi tocar em Fortaleza, no Theatro José de Alencar. Nelson tem um virtuosismo sem afetações. É daqueles que deixa claro que a música é mais importante que o intérprete.

Este vídeo que compartilho hoje foi tirado do documentário "Nelson Freire", de João Moreira Salles. Fico também feliz porque é a primeira que compartilho com vocês algo de Heitor Villa-Lobos (1887-1959). "Villa", para os íntimos, viajou boa parte do Brasil para expôr em sua música um caráter nacional. Várias de suas obras refletem o folclore brasileiro. Hoje ficaremos com uma peça para piano solo "A Lenda do Caboclo" - misteriosa, introspectiva, lindíssima!



A tempo: Quem "rouba a cena" atrás de Nelson é Danuza, sua cadela, personagem simpática que até ganha um trecho no documentário de Salles com seu próprio nome (no episódio "Danuza", Nelson pede licença a ela para tocar "Alma Brasileira", também do Villa).

Outra coisa: Notei que também é a primeira vez que o piano aparece nos compartilhamentos. Viva!

Grande abraço.
Renato

24/12/2008

Compartilhamento Musical 8

Oi, gente!

O Compartilhamento Musical Natalino deste ano apresenta o Oratório de Natal de Johann Sebastian Bach, BWV 248. É uma grande obra composta de seis cantatas, escrita para o período de Natal de 1734. O tempo total do oratório é de quase três horas. Hoje em dia, costuma-se apresentá-lo de uma vez, ou em duas seções com três cantatas cada. Na época de Bach, cada cantata era apresentada em um determinado dia festivo no período do Natal. A primeira cantata, para o dia 25, descreve o nascimento de Jesus; a segunda, para o dia 26, descreve a anunciação dos anjos aos pastores; a terceira, para o dia 27, a adoração dos pastores; a quarta, para o dia de ano novo, trata da circuncisão de Jesus; a quinta, para o primeiro domingo do ano novo, a viagem dos magos do oriente; a sexta, para o dia da Epifania, a adoração dos magos.

Hoje, vou me restringir a sugerir a audição da abertura da primeira cantata. É uma peça musical cheia de júbilo! Com muita empolgação, Bach conclama os crentes em Cristo a louvar a Deus pelo nascimento do Salvador.

Abaixo, posto a letra original em alemão e uma tradução livre em português.

Jauchzet, frohlocket! auf, preiset die Tage,
Rejubilem, exultem!, glorifiquem os dias,
Rühmet, was heute der Höchste getan!
Louvem o Altíssimo pelo que fez hoje!
Lasset das Zagen, verbannet die Klage,
Deixem de lado o medo, expulsem o lamento,
Stimmet voll Jauchzen und Fröhlichkeit an!
Entoem um cântico cheio de júbilo e graça
Dienet dem Höchsten mit herrlichen Chören,
Sirvam o Altíssimo com coros gloriosos!
Laßt uns den Namen des Herrschers verehren!
Louvemos o nome do Senhor!

Estou disponibilizando duas opções para o vídeo
Jauchzet, frohlocket!. Escolha uma (ou as duas)...

1 - Esta versão é com o maestro Nikolaus Harnoncourt. Não gosto da produção do vídeo, mas o som está ótimo, além da excelente interpretação! Tem também uma coisa curiosa aqui: Notem que não há mulheres no coral, apenas meninos. Na época de Bach, era costume os garotinhos cantarem as vozes de soprano e contralto e os mais crescidos as de tenor e baixo (leia o Compartilhamento Musical 1 para mais detalhes). Só para constar, conheci Harnoncourt pessoalmente, em Berlin, em janeiro de 1998... Ai, que saudade daquela viagem!



2 - Esta versão é com o maestro Sir John Eliot Gardiner. Interpretação excelente! Gardiner sempre preza pela empolgação nas interpretações de Bach com a English Baroque Soloists e o Monteverdi Choir.



Grande abraço,
Renato

12/12/2008

Compartilhamento Musical 7 (adendo)

Oi, gente!

Confesso que "excedi-me" um pouco no Compartilhamento Musical 7, sobre a
Fuga em sol menor BWV 578, de Johann Sebastian Bach. Alguns leitores não conseguiram entender bem o que é um sujeito, quanto menos perceber as entradas dele na fuga. Deixe-me tornar isso um pouco mais claro:

Primeiro, vamos rever o que eu disse:

Tudo começa com a exposição de um tema (chamado de sujeito), que é uma melodia declarada por uma das vozes isoladamente.

Mas se não há ninguém cantando, como é que eu devo ouvir "
vozes"? Calma! Vamos aprendendo... O que é uma voz? No Compartilhamento Musical 7 (Daqui por diante, vou fazer uso da siga CM.), quando eu falei "...uma melodia declarada por uma das vozes...", a palavra "voz" quer dizer o mesmo que "linha melódica". Se houver quatro pessoas cantando, há quatro linhas melódicas. Cada pessoa pode entoar uma melodia diferente e, no conjunto, podemos ter uma bela harmonia com 4 linhas melódicas (ou vozes) distintas. Só que instrumentos musicais também têm vozes! Então, na fuga de Bach que ouvimos, as diferentes vozes eram entoadas pelo mesmo instrumento: um órgão. A primeira voz iniciou-se com a mão direita do organista; a segunda, com sua mão esquerda; algum tempo depois, outra voz está nos pés do organista. Pense... Uma voz nos pés! Só em música mesmo!

Mesmo que você não tenha entendido tudo, tenho certeza que você não chegou ao ponto que um amigo chegou. Abaixo, posto seu divertido comentário!

Entendi!

É como se fosse um filme de suspense!

O sujeito está sempre à espreita. Ele se chama Barroso (vc escreveu barroco!) e é mestre em imitação. Talvez por isso possamos confundir o músico com o tal Barroso, um assassino traficante de órgãos. Talvez as tomadas dos pedais sejam do Barroso. Então, depois que o músico se expôs, a tensão foi crescendo até o momento do golpe fatal do Barroso, o tal sujeito. Só não consegui ouvir as vozes que, por certo, clamavam por socorro.

Só lamento o vídeo ter acabado antes do desfecho, quando o sujeito, Barroso, enfim mata o músico e foge num dia de pouco sol em sua BMW 578 (vc escreveu BWV!). Após algum tempo, finalmente o sujeito é preso mas confunde a polícia, com suas múltiplas declarações, o que é até compreensível, já que Barroso é um mestre em imitações.

Tudo bem que é um filme de época, já que se passa entre os séculos XVII e primeira metade do XVIII. Mas achei o nome do assassino pouco comercial. "Barroso" é meio anti climático.

Viu, não foi tão difícil assim!

Então, se você acha que não tinha entendido, não se estressa!

Estou muito feliz escrevendo esses Compartilhamentos. Temos 84 inscritos até o momento e esta semana tive mais 44 assinaturas, totalizando 128 na lista para o CM número 8, futuramente, se for da vontade de Deus. Comentários como os que posto abaixo são muito legais de ler:

Estou começando a me sentir menos ignorante em termos musicais. Vou incentivar (minha filha) a ler seus compartilhamento, também.
(após ler CM No. 7)

...me senti na Áustria. Obrigada, achei bonito e empolgante, só que me criou um problema... Aumentou minha vontade de visitar as terras anglo-saxônicas. Ai de mim! Beijão...
(sobre CM No. 6 – Mozart)

Amigo, que negócio lindo!!!
Mas você tem razão – preciso ouvir mais vezes pra perceber isso tudo.
(sobre a fuga do CM No. 7)

Oi Renato, só passando pra dizer que seus “Compartilhamentos Musicais” são ótimos... Gostei muito.
(recém-ingresso na lista de emails, após ler os CMs do No. 1 ao 7)

Houve também quem ficasse empolgado com o órgão. Eu acho esse instrumento maravilhoso! No passado, em algumas igrejas, era o instrumento por excelência. De bônus, forneço agora um link para mais um vídeo com Ton Koopman. Desta vez, vocês vão ouvir a Tocata em ré menor, BWV 565. Ela é bem conhecida e muitos a associam à história do "Fantasma da Ópera". Só que ela não tem absolutamente nada a ver nem com ópera nem com fantasma (eu, heim...)! Na verdade, a obra é uma tocata seguida por uma fuga. Aqui, ela está sem sua fuga correspondente. Mas chega de fuga! Pelo menos por enquanto. Um outro dia posto um comentário sobre essa obra com mais calma. Aproveitem!



Se souberem de alguém que deseja entrar nos Compartilhamentos Musicais, é só pedir para mandar um email para renatobdacosta@gmail.com pedindo para entrar. Por gentileza, peça para a pessoa mencionar quem indicou o CM.

Grande abraço, e até o CM 8, semana que vem, se Deus quiser.
Renato

05/12/2008

Compartilhamento Musical 7

Oi, gente!

Este Compartilhamento Musical está bem desafiador! Vou ter que mencionar alguns conceitos técnicos, mas peço paciência e persistência. Vai valer à pena!

Hoje gostaria de apresentar a vocês a
Fuga. Calma, não estou conclamando ninguém a pular os muros de canto nenhum! Fuga é um estilo de composição que tem origem em técnicas de imitação do século XVI, mas foi no período barroco (séculos XVII e primeira metade do XVIII) que se consagrou como atividade de composição importante. Imitação refere-se a repetições de material musical já apresentado na música. Basicamente, uma "frase musical" é cantada ou tocada por uma voz ou instrumento e, depois de certo tempo, outra voz ou outro instrumento apresenta a mesma melodia enquanto a primeira continua seu desenvolvimento.

A fuga deriva desse tipo de técnica, só que ela é bem mais complexa. Ela obedece a regras muito estritas, que fazem dela um gênero bastante difícil. Como eu não sou expert em fuga (apenas as aprecio), não vou entrar em detalhes sobre essas regras, mas pensei que seria interessante convidar vocês para fazer um passeio comigo em uma fuga. Não vamos mergulhar profundo, mas faço o convite para "molharmos ao menos nossos pés" nesse mar. Primeiro, vou explicar o que estamos procurando, depois vou dar dicas práticas para vocês aproveitarem mais o vídeo.

Tudo começa com a
exposição de um tema (chamado de sujeito), que é uma melodia declarada por uma das vozes isoladamente. Uma segunda voz entra, então, “cantando” o mesmo sujeito, mas noutra tonalidade, enquanto a primeira voz continua desenvolvendo. As vozes restantes entram, uma a uma, cada uma iniciando com o mesmo sujeito. O restante da fuga desenvolve o material posterior utilizando todas as vozes e, usualmente, múltiplas declarações do sujeito.

Vamos ouvir a
Fuga em sol menor BWV 578, de Johann Sebastian Bach. Foi nas mãos desse gênio que a fuga atingiu o ápice de sua maturidade no Barroco. O que proponho a vocês? Vamos procurar perceber somente as entradas do sujeito (tema)! Vai ser fácil porque eu anotei abaixo as vezes que ele aparece e as contagens do vídeo em minutos e segundos. Primeiro, você vai ouvir a primeira melodia (o sujeito), que o organista vai tocar com sua mão direita logo no início. Quando a mão esquerda entrar em ação, é porque vai entrar a segunda voz, com o sujeito novamente. A mão direita vai continuar seu caminho. Siga o roteiro abaixo:

0:00 - início - mão direita - primeira entrada do sujeito
0:15 - mão esquerda entra - segunda entrada do sujeito
0:32 - mais uma vez
0:45 - desta vez, o sujeito aparece nos pedais do órgão
1:06 - o que chamo de "alarme falso": o sujeito aparece, mas não todo
1:27 - mais uma vez
1:48 - sujeito na pedaleira de novo
2.14 - outra vez, mas está bem escondido aqui
2.47 - de novo nos pedais

* Claro que isso não é uma análise técnica de uma fuga. Há outras fases que não mencionei. Meu objetivo é contribuir com o aprimoramento de sua sensibilidade musical. Aos poucos, progredimos!



Se você achou a coisa toda muito confusa (o que possivelmente vai acontecer), não se preocupe. Veja o vídeo mais vezes. O que propus hoje foi só um exercício; não se esqueça de que ouvir música não se restringe a um mero exercício matemático. Ouvir música é apreciar o belo. Se você não conseguiu "ver" essas entradas de sujeito, não esquenta!

E quem não conhecia este instrumento magnífico, trata-se de um órgão. E esse é dos bons! O organista é, em minha opinião, o melhor hoje vivo. Gosto deTon Koopman porque ele deixa tudo muito interessante. Essa fuga, além de ser muito bem composta, tem a eletrizante empolgação desse holandês especialista em barroco!

Mais uma vez, gostaria de encorajá-los a escrever comentários sobre os Compartilhamentos Musicais. Será um prazer ouvir suas opiniões, dúvidas e sugestões.

Grande abraço,
Renato

21/11/2008

Compartilhamento Musical 6

Oi, gente!

Wolfgang Amadeus Mozart! Minha porta de entrada no universo da música erudita...

Considero Mozart um ótimo anfitrião para o novo ouvinte de música erudita. Digo isso porque sua música é, geralmente, muito bem "digerida", até mesmo por quem não tem costume com os clássicos. Não quero, com este comentário, diminuir a complexidade desse gênio. Não estou dizendo que sua música é trivial, mas apenas que é muito difícil alguém ouvir uma peça de Mozart e não gostar. Eu era adolescente quando um colega do curso de inglês me gravou umas fitas (Alguém lembra o que é fita cassete?) com obras orquestrais de Mozart. Meu mundinho musical medíocre de repente se expandiu! Comecei com algumas sinfonias... Que coisa agradável!

Neste Compartilhamento Musical, permitam-me sugerir o terceiro movimento do Divertimento K. 136. "Divertimento" é um gênero musical típico da época clássica (século XVIII). A palavra é de origem italiana e significa o mesmo que em português. O caráter de um divertimento é geralmente bem humorado e dá uma impressão mais leve do que as sinfonias ou os quartetos, pois eram tocados em eventos sociais não necessariamente voltados para a divulgação da música.

Mozart escreveu vários divertimentos. Alguns deles são também conhecidos como "Sinfonias Salzburgo KV 136-137-138" (de onde tirei o exemplo no vídeo abaixo). Há gravações com quarteto de cordas (dois violinos, uma viola e um violoncelo), bem como com orquestra de cordas. Definitivamente recomendo: Se você nunca comprou um CD de música clássica, essa é uma ótima dica para começar sua coleção.

Após apreciar o vídeo, gostaria de encorajar você a fazer perguntas ou comentários. Tenho a idéia de publicar alguns em algum boletim posterior.

Divirta-se!



[Obs.: Os segundos finais do vídeo escurecem antes da música acabar. Além disso, há uma pequena falta de sincronia vídeo-audio nos primeiros momentos. Mesmo assim, decidi sugerir esta versão porque está muito bem interpretada.]

Abraço,
Renato

31/10/2008

Compartilhamento Musical 5

Olá, gente!

Já dei notícia de morte, mas essa é esquisita. Faz mais ou menos um ano e meio que a pessoa morreu! A demora foi porque eu só soube por esses dias, quando buscava um assunto para o Compartilhamento Musical 5. Falo do excelente violoncelista, Mstislav Rostropovich. E não fiquei menos triste por ter sabido de sua morte tardiamente. Abaixo, alguns trechos da matéria em O Globo de 27/4/07:

Mstislav Rostropovich foi uma das figuras culturais mais amadas da Rússia. Além disso, ganhou fama em todo o mundo como defensor dos direitos civis durante a era soviética. (...) Enquanto estava no exterior, em 1978, o Kremlin o destituiu de sua cidadania... (...) Dias após a queda do Muro de Berlim, Rostropovich levou seu violoncelo e embarcou a Berlim para fazer um concerto de improviso, não anunciado, ao lado dos escombros do muro. "Foi o que meu coração ditou," ele disse mais tarde.

O vídeo que sugiro hoje mostra Rostropovich tocando o prelúdio da Suíte No.1 para violoncelo solo de Johann Sebastian Bach. Amo os sons graves do violoncelo! Além disso, esse é certamente um dos pedaços de música que mais me empolga! A peça é tão bem composta (e tocada)! Reparem como não há necessidade de nenhum outro instrumento acompanhando.



[Dica: Este vídeo está com o som um pouquinho baixo. Ouça do início com o volume um pouco mais alto que o comum.]

Abraço,
Renato

18/10/2008

Compartilhamento Musical 4

Oi, gente!

Este compartilhamento musical é um clamor junto aos "excluídos"! Calma, não estou virando um revolucionário rebelde!

Aos olhos do grande público, a flauta-doce é considerada um instrumento “simples”. Não é de surpreender, pois sempre as vemos nas mãos de crianças. Acho que quase todo mundo já ouviu aqueles “guinchos” horríveis. Geralmente, uma flauta-doce soprano de plástico é o primeiro instrumento musical de muita gente. (Foi o meu.) Por ser popular em iniciação musical e por haver tantos instrumentos de má qualidade (algumas flautas de plástico), muitos pensam ser um instrumento “simples”. Isso é uma pena, pois quem aprendeu a tocar de verdade aprecia sua sonoridade e o desafio que é tocá-la bem.

A flauta-doce evoluiu continuamente durante os séculos desde os tempos medievais até o fim do período barroco (mil setecentos e pouco). Só foi redescoberta há menos de 100 anos. Passou tanto tempo sem atenção porque depois do barroco ela não conseguiu competir com os novos instrumentos da época, com som mais forte, que compunham as orquestras.

O compartilhamento musical desta semana vem desmistificar qualquer estereótipo de “pequenez” que alguém tenha desse instrumento. Flautas-doces têm um som agradável, são instrumentos desafiadores para os músicos sérios, e são muito adequadas para tocar em conjunto. Escolhi o último movimento de um concerto para “flautino”, de Vivaldi. É tocado em uma flauta-doce sopranino, a menor de todas. Ouçam como é bem tocada! [Quem quiser saber mais, depois do link há informações adicionais.]



Abraço,
Renato

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[Informações adicionais.]

1. Há vários tipos de flauta-doce. Dentre as principais, da menor (mais aguda, ou "fina"), para a maior (mais grave, ou "grossa"):

sopranino - usada no vídeo
soprano - tamanho pequeno, muito usada para iniciação musical de crianças
contralto - tamanho médio - É a que eu toco mais na igreja. Era a favorita dos compositores barrocos. Há bem mais repertório para este tipo de flauta-doce do que para os outros.
tenor - um pouco maior.
baixo - enorme, com som grave muito lindo

2. Há flautas-doces de plástico e de madeira. Há boas e ruins. As melhores de plástico têm um som aceitável, como as da série 300 da Yamaha. Tenho uma soprano e uma contralto dentro desta categoria. Há flautas-doces ruins de madeira, que não são melhores que as boas de plástico. Mas as boas de madeira, bem mais caras, são INCOMPARAVELMENTE melhores! (Um sonho de "consumo musical".)

3. Parte dos meus comentários foram pesquisados do site da Antique Sound Workshop (http://www.aswltd.com/), o qual tive a felicidade de encontrar recentemente. O Sr. David Green me ajudou a escolher uns livros de método de flauta-doce, que encomendei para aperfeiçoar a técnica e também para dar aula na igreja. Ele é professor há mais de 40 anos e tem muita informação interessantíssima lá.

20/08/2008

Compartilhamento Musical 3

Olá, gente!

Nosso Compartilhamento Musical de hoje contempla um dueto do compositor Wieniawski, com dois violinistas excelentes: Itzhak Perlman e Pinkas Zukerman.

Ambos são judeus. Veja como Deus abençoa este povo! Perlman nasceu em 1945 e Zukerman em 1948, ambos em Tel Aviv. Perlman é o da esquerda, sentado em uma cadeira. Ele teve pólio quando criança. Zukerman é o da direita. Os dois são grandes violinistas, mas considero (muitos consideram) Perlman o número 1 do mundo atualmente. Pra quem está estudando violino, aconselho ouvir suas gravações!

Notem os dedos fininhos (pra não dizer o contrário) de Perlman... E mesmo assim, ele faz "um estrago" com o violino.



Abraço.
Renato

04/08/2008

Compartilhamento Musical 2 (adendo)

A pedido de uma leitora:

Ópera - Obra musical que conta uma história secular. Geralmente tem uma abertura instrumental, recitativos e árias. Às vezes, tem também coral. (Recitativo é quando o cantor canta quase como se estivesse falando. Ária é mais ou menos o que hoje a gente chama de solo.)

Cantata - Parece com ópera, mas a temática é religiosa. O tipo de música às vezes muda, bem como instrumentação.

Oratório - É como se fosse uma Cantata de maiores proporções e maior complexidade.

Abraço,
Renato

Compartilhamento Musical 2

Olá, gente!

Meu segundo compartilhamento musical contempla minha cantora favorita: Cecilia Bartoli, italiana e muitíssimo talentosa. Eu não gosto muito de ópera; prefiro Cantatas e Oratórios, com suas temáticas Cristãs. Mesmo assim, é curioso o que Vivaldi fez nesta ária chamada "Gelosia" (ciúme).

Não sei direito o que ela está cantando. Um dia desse vi a tradução e acho que ela diz algo como "Ai, que inferno é esse ciúme..." É claro que não vamos nos aprofundar na história dessa ópera, mas aqui está um exemplo primoroso de interpretação. Bartoli é, em si, um show à parte tanto pela virtuosidade (ela canta muito rápido e muito bem) quanto pela interpretação dramática. Percebam como ela muda o caráter facial após o primeiro minuto e, depois, volta ao ciúme.



E, por favor, não vão sair por aí sentindo "gelosia" de ninguém (pelo menos no sentido do ciúme ruim)! Este link é só pra curtir um pouco uma interpretação musical bem feita.

Grande abraço.
Renato