08/05/2016

Compartilhamento Musical 54

Johann Nikolaus Graf de la Fontaine und d’Harnoncourt-Unverzagt
(6 de dezembro de 1929 – 5 de março de 2016)

Oi, gente!

Foi com tristeza que li, há algumas semanas, a notícia do falecimento de Nikolaus Harnoncourt, maestro de quem gosto muito, respeitadíssimo, e que tem uma "história comigo". Aqueles que me são menos íntimos provavelmente não terão interesse no foco desta postagem, pois decidi hoje aproveitar a informalidade do Blog e simplesmente compartilhar meu momento com Harnoncourt - a tal "história com ele". A esses, peço licença e recomendo que saltem para o parágrafo imediatamente anterior ao vídeo e aproveitem a arte desse grande músico. Aos mais íntimos, dentre os que gostam de me ouvir contar histórias, simplesmente prossigam...

A primeira vez que fiquei fora do Brasil foi entre 28 de dezembro de 1997 e 25 de janeiro de 1998. Foi um roteiro que fiz pela Europa com um amigo, Glauco Vieira Fernandes. Nossa "mochilagem" teve o caminho pautado por nosso gosto mútuo pela boa música. Visitamos lugares que têm a ver com Vivaldi, Mozart, Beethoven, Bach e alguns outros. Em Berlim, no meio dos corredores escuros que lá encontramos, um cartaz, dentre os muitos fixados nas paredes, anunciava Nikolaus Harnoncourt regendo as 4ª e 5ª sinfonias de Beethoven, nada mais nada menos que com a Orquestra Filarmônica de Berlim! Mudamos nosso roteiro para acomodar nossa presença nesse concerto que, até hoje, não me sai da memória.


Sábado, 10 de janeiro de 1998,
em frente à entrada da Filarmônica de Berlim

E ali estávamos eu e meu amigo na Grande Sala da Filarmônica de Berlim, que tantas vezes eu havia visto em vídeos na televisão. Agora era pra valer! Eu estava lá! Depois de me beliscar algumas vezes, a primeira coisa que me impressionou foi a arquitetura da sala. Quem vê apenas os vídeos só tem mesmo uma pequena ideia do que é aquilo! E o local em que sentamos foi especial. Eu não sabia que, em concertos nos quais não há participação de um coro, os assentos logo atrás da orquestra costumam ser vendidos. E foi lá, nos bancos dos coralistas, que sentamos. Vimos todas as costas dos músicos, mas foi um privilégio perceber o conduzir musical de Harnoncourt!


Esta era exatamente a visão que tivemos da orquestra.
Tirei esta foto no fim do concerto, após a orquestra ter saído;
Harnoncourt ainda voltava para ser aplaudido incessantemente.
Se você clicar na foto, talvez possa vê-lo de frente para a plateia.

Meu amigo havia levado consigo um gravador de micro-fitas cassete e gravou trechos de nossa viagem durante todo o roteiro. Resgatei as cópias das fitas que tenho enterradas em casa e postei aqui dois trechos daquela noite. Por mais chiadas que sejam essas gravações, são parte de minha "história com Harnoncourt". A primeira sequência é uma edição do que Glauco gravou quando a orquestra afinava os instrumentos e também a entrada do maestro em meio aos aplausos, seguidos pelo silêncio e o início do concerto. Aliás, foi isso a segunda coisa que me impressionou naquela sala – o som entre os aplausos e o início da música – a acústica... O silêncio fazia barulho ali! Até então eu nunca havia ido a um concerto dessa envergadura numa sala tão grande. Não se ouvia praticamente nada e lembro-me de que isso foi uma sensação estranha e impressionante! Depois de um pouco desse silêncio, Harnoncourt começou a 4ª Sinfonia de Beethoven.


10/01/98 na Filarmônica de Berlim
O tal silêncio acontece pela primeira vez entre 0:28 e 0:42

Quem conhece a "Quarta", sabe que Beethoven faz uma longa introdução. Fiz uma edição que mostra a saída dessa introdução e a transição para as primeiras explosões orquestrais que seguem na obra. O tal silêncio de que falei acima voltava junto às pausas de Beethoven, e foi quando na vida eu comecei a ter outra visão sobre o papel de pausas em uma música. Teria sido difícil eu ter esse insight se não fosse aquela maravilhosa acústica! Confira este segundo trecho e imagine este pobre coitado assombrado com a experiência nova de uma grande música sendo tocada do jeito que é pra ser:


10/01/98 na Filarmônica de Berlim
Imagine como quase pulei da cadeira a partir de 0:20!
Felizmente, ainda me restava um pouco de sanidade...

Ao final do concerto, extasiados, tivemos a ideia louca de seguir o maestro até o camarim. Sem muita vergonha na cara, entramos lá e, atravessando um punhado de gente, dirigimo-nos ao maestro. Parabenizei-lhe em inglês, algo como: "Somos do Brasil e foi uma maravilha o concerto!", ao que ele respondeu, apertando minha mão: "Os músicos dessa orquestra são impressionantes, não acha?", e após o qual ele me deu um autógrafo:


Talento, humildade e simpatia:
combinação meio rara entre os grandes...

Saudades!

Fiquem com um trecho do Harnoncourt anos depois dessa minha "história com ele". O vídeo é de 2014 e ele rege sua própria orquestra, a Concertus Musicus Wien, que ele fundou e que o acompanhou até o fim. Eles interpretam o último movimento da última sinfonia de Mozart, a de No. 41, apelidada de "Júpiter". (A senhora violinista de cabelos alvíssimos, envolta em um xale vermelho, à esquerda do maestro, é sua esposa, Alice Harnoncourt.)


Quem quiser checar mais vídeos do Harnoncourt aqui no Blog, visite os posts CM 8 e CM 17.

Abraço,
Renato
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10/02/2016

Compartilhamento Musical 53

Oi, gente!

Descobri um novo site sobre Bach. Em janeiro, um amigo perguntou: “Você já foi no All of Bach?”, que, em inglês, quer dizer  “Tudo de Bach”. Ora, vocês já sabem que, para mim, basta dizer “Bach” para conseguir minha atenção. Se disser "Tudo de Bach”, você consegue minha atenção por um tempo bem maior...

É um projeto da Sociedade Bach da Holanda que pretende festejar seus 100 anos de existência (que farão em 2021-2022) gravando toda a obra de Bach e a disponibilizando em um formato acessível – vídeo online, gratuitamente. O projeto se iniciou em setembro de 2013 e começou a publicar os vídeos em maio de 2014. Desde então, toda sexta-feira é dia de postarem novas gravações. Mas não são apenas as obras que são postadas, há vídeos de entrevistas com os músicos, informações sobre a obra e até um fórum, onde você pode compartilhar sua reação após ouvir a música. Tudo está disponível em inglês ou holandês. Segundo Jos van Veldhoven, diretor artístico:


“Desta forma podemos envolver as pessoas no modo em que nós trabalhamos e permiti-las descobrir como fazer soar o som de Bach. É um presente para o mundo. [grifo meu] Porque quer você esteja na Coréia praticando o Minueto em sol menor pela primeira vez, ou viva em Appingedam e esteja fascinado por fugas em quatro vozes, você estará distante apenas a uns poucos cliques de mouse da informação que está procurando.”

Hoje compartilho o Concerto de Brandemburgo 4 publicado pelo site (http://allofbach.com/en/). Em um concerto, há um (ou mais) instrumento(s) que dialoga(m) com o restante da orquestra (ver CM 11). No caso deste concerto, são três os instrumentos que compõem o concertino: duas flautas doces e um violino, mas o curioso é que nem sempre eles estão no papel de solista. Há horas em que claramente se percebe que as flautas doces estão no comando (Heiko ter Schegget e Benny Aghassi); há horas em que estão apenas acompanhando. Há uma hora em que o violino (Shunske Sato) “rouba a cena”; há horas em que é simplesmente “mais um”. Note também que, nesta interpretação, o dirigente (o violinista) escolheu um músico por parte, ou seja, em vez de vários músicos tocarem a parte do violino 1, há apenas um, como há apenas um para o violino 2, apenas um para a viola, etc. Acho que dava para fazer um belo som também com um pouco mais de músicos, mas definitivamente eles me convenceram!

Fiquei impressionado com a qualidade musical da interpretação! Como de praxe entre eles, estão tocando com instrumentos de época (ou réplicas) e buscam aplicar uma técnica de performance musical informada por pesquisas históricas. Meu professor de flauta doce estudou na Holanda e assistir esse vídeo é como ouvir suas considerações sobre fraseado e articulação. Que escolhas bem acertadas as desse grupo de músicos! Aproveite o vídeo e, digo sem receio de perder meu público para a “concorrência”: Vá ao site e o aproveite também!



Como é costume aqui no blog, compartilho quando adquiro nova flauta.



Esta é uma contralto da fábrica alemã Moeck, afinada em 442 Hz e feita na madeira grenadilha. É uma estrangeira que ganhei em novembro passado e que ainda está se adaptando ao clima de nossa terrinha.

Abraço,
Renato
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09/10/2015

Compartilhamento Musical 52

James MacMillan (n. 1959)

Hoje o Compartilhamento Musical explora uma música advinda de uma tragédia. Em 13 de março de 1996, um homem armado entrou em uma escola primária em Dunblane, na Escócia, onde abriu fogo contra crianças de 5 e 6 anos de idade, e depois cometeu suicídio. Dezesseis crianças e sua professora morreram. O crime chocou o Reino Unido e repercutiu também mundialmente.

Em 4 de julho seguinte, a peça A Child’s Prayer (Uma Oração de Criança), do compositor escocês James MacMillan (foto), foi executada pela primeira vez na Abadia de Westminster, em Londres, em memória das crianças. Trata-se de uma música relativamente simples, mas com uma fortíssima expressão de pungência! O texto diz o seguinte:

Welcome Jesu,
Sê bem-vindo, Jesus,
Deep in my soul forever stay,
Permanece para sempre no profundo de minha alma,
Joy and love my heart are filling
Alegria e amor estão preenchendo meu coração
On this glad sacred day.
Neste alegre dia sagrado.

Pelo
 que entendi dos comentários que li, o texto é da liturgia católica, utilizado tradicionalmente no momento da comunhão, mas MacMillan escreveu uma linha alternativa para o final, atribuindo à peça um uso mais geral. O texto tradicional termina com “On this glad communion day". Entretanto, na gravação abaixo, creio que o coro canta “sacred” (sagrado) em vez de “communion” (comunhão).

MacMillan está entre os compositores que nos dias de hoje produzem algumas peças que consigo achar realmente belas. (A meu ver, isso não é muito freqüente entre os contemporâneos.) Em A Child’s Prayer, há uma pulsação de acordes, claramente percebidos na palavra “Welcome” (Bem-vindo). Nesta primeira parte reside a dor da música. Quando ouvi pela primeira vez, pensei até que a intenção do compositor era retratar Jesus acolhendo as crianças no céu, o que me impressionou bastante. No entanto, pela letra, entendo que é de fato uma oração de uma criança, recebendo Jesus em seu coração. Em meio à pulsação, duas vozes solistas representam as crianças. Perceba como elas começam mais graves e vão ficando mais agudas durante a música, sugerindo que as crianças estão indo rumo ao céu. Tinha tudo para ser extremamente deprimente, mas o compositor trata com muita luz a palavra “Joy” (Alegria), talvez procurando levar esperança ao coração do ouvinte – e, imagino, aos corações dos familiares e amigos das crianças à época.

Recomendo aumentar o volume no início, pois a música começa bastante suave.

Estou muito interessado em seus comentários após ouvirem o vídeo. Por favor, escrevam aqui no blog.



Abraço,
Renato
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Abraço,
Renato

07/09/2015

Compartilhamento Musical 51

Lev Sergeyevich Termen (1896 - 1993)

Oi, gente!

Ano passado recebi um email de uma gravadora (BIS) com previsões de lançamento, dentre as quais seria lançado um CD de um compositor contemporâneo finlandês chamado Kalevi Aho, de quem apenas ouvi falar. O que me chamou atenção foi o título da obra: “Concerto para Theremin e Orquestra de Câmara”. E pensei: Puxa! Seria interessante compartilhar sobre este instrumento inusitado!

O theremin ganhou esse nome por causa de seu pai, o físico russo Léon Theremin (nome afrancesado - original russo acima, na foto). Foi o primeiro instrumento musical eletrônico produzido em massa. Hoje, a alemã Carolina Eyck aparece no vídeo que anuncia o tal CD e nos dá mais informações sobre o theremin e a obra que ela gravou.



E, para quem gosta de raridades, consegui achar um vídeo em que o próprio Theremin demonstra sua invenção. Não sei quando este vídeo foi feito, mas é história! Perceba como o novo instrumento interagiu com um piano nessa demonstração.

 
Tradução livre das legendas em inglês:
"O instrumento eletro-musical Thereminvox é o primeiro de seu tipo. É um tipo de instrumento de voz cantável. O controle sobre a melodia é obtido com o movimento das mãos e dedos de acordo com a melodia, sem o toque, e influenciando um campo eletromagnético ao redor do instrumento."
 
Deixe seu comentário.

Abraço,
Renato

24/12/2014

Compartilhamento Musical 50

Arcangelo Corelli (1653 – 1713)

Oi, gente!

O que é um Concerto Grosso?

Antes que pensem que existe “Concerto Fino”, deixe-me logo dizer que, em italiano, a expressão significa “Grande Concerto”. O termo é utilizado para designar uma forma de música barroca em que há uma troca entre um grupo pequeno de solistas (concertino) e o restante da orquestra (ripieno). Este tipo de concerto contrasta com vários outros que compartilhei aqui no blog, do tipo em que um solista (às vezes dois) dialoga com a massa orquestral.

Para o Natal deste ano, gostaria de compartilhar o Concerto Grosso Opus 6, Número 8, do compositor italiano Arcangelo Corelli. O concerto, em seis movimentos, é comumente conhecido pelo seu “apelido”, “Fatto per la notte di Natale” (Feito para a Noite de Natal).

Os músicos do vídeo de hoje compõem a Accademia degli Astrusi, uma feliz novidade para mim (apesar de estarem na ativa desde 2007)! Espero que gostem também.

 


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Abraço,
Renato

03/07/2014

Compartilhamento Musical 49

 Stephen Lounsbrough (n. 1988)
(Foto: Joshua Huang)

Oi, gente.

Quero compartilhar hoje sobre um compositor que é meu amigo! Filho de missionários norte-americanos, Stephen Lounsbrough cresceu no Brasil e conhece muito bem o nosso jeito. Conheci Estêvão (como se apresenta para nós, brasileiros), em 2008, quando participei pela primeira vez da Semana de Música Sacra, no Crato. Desde então, tocamos juntos um Mozart e um Beethoven, e ensaiamos um Pärt, quem sabe, para o futuro... Atualmente, Stephen está fazendo seu mestrado em composição, na Central Michigan University, nos Estados Unidos.

A obra de Stephen que quero compartilhar hoje é para coro misto. Esta peça venceu uma competição em 2012, em seu país natal, e foi gravada pelo Des Moines Vocal Arts Ensemble. Esta é a gravação que vocês vão ouvir, e que foi a primeira audição mundial da obra. O texto é a passagem bíblica em Romanos, capítulo 11, versículos de 33 a 36:


Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

Em 2014 tive o privilégio de ajudar Stephen numa tradução para o português para a peça ser cantada na XI Semana de Música Sacra, que ocorreu recentemente. (Clique aqui para ler o post sobre o evento.) Tive também o privilégio de ser um dos coralistas e ensaiar e cantar esta peça tão inspiradora, na primeira audição da versão em português.

Para mais informações sobre o Estêvão, vão lá no site dele. Há biografia, trechos de gravações, partituras de suas obras e também os projetos nos quais ele está trabalhando atualmente.



Espero que apreciem tanto quanto eu.



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Abraço,
Renato

XI Semana de Música Sacra (SBRC)

Entre 24 e 29 de junho deste ano ocorreu a XI Semana de Música Sacra do Seminário Batista do Cariri. Tivemos uma cantata para crianças, intitulada “Mesmo um Menino Pode Crer”. Para os adultos, tivemos duas cantatas: “Grande é o Senhor” e “Redenção”. Além da apresentação de boa música, o evento tem se tornado importante por se consolidar como uma ótima ferramenta de capacitação para músicos cristãos, com oficinas de instrumentos e de canto, teologia relacionada à adoração com música, e formação de platéia (que é onde entro com sessões de Compartilhamento Musical). Também tivemos, pela segunda vez, uma competição musical entre os alunos - uma oportunidade para motivá-los à excelência. Cada candidato poderia apresentar uma peça do repertório erudito ou uma música sacra. Os três primeiros lugares ganharam uma bolsa integral para a XII Semana de Música Sacra, que ocorrerá no ano que vem, se Deus assim desejar.

Ensaio geral: coro e orquestra da cantata "Redenção"
(obras de Carlos Renato de Lima Brito, o regente, e Stephen Lounsbrough)
(Foto: Almir Marcolino Tavares)

Pelo terceiro ano consecutivo, tivemos também o Recital de Professores, onde apresentamos peças do repertório erudito como parte da participação do Compartilhamento Musical no evento. Para ler sobre os recitais dos anos anteriores, clique aqui (2012) e aqui (2013) O repertório deste ano foi o seguinte


1ª PARTE (Música Sacra)

Johann Sebastian Bach (Eisenach, Alemanha, 1685 – Leipzig, Alemanha, 1750)
Ária  “ Bete aber auch dabei ”, da Cantata BWV 115
   Yumy Amaral – soprano
   Renato Costa – flauta doce
   Pr. Filipe Soares – baixo contínuo (“cravo”)
   Pr. Renato Brito – baixo contínuo (violão)
Recitativo “Ach Jesu, meine Ruh” &
Dueto  “Komm, mein Jesu, und erquicke”, da Cantata BWV 21

   Anita Swedberg – soprano (alma)
   Pr. Marcos Willson – baixo (Jesus)
   Renato Costa – baixo contínuo (piano)

2ª PARTE (Foco na Flauta!)

Georg Philipp Telemann (Magdeburgo, Alemanha, 1681 – Hamburgo, Alemanha, 1767)
Sonata para Flauta Doce No 1, em Fá maior

I – Vivace
II – Largo
III – Allegro
   Renato Costa – flauta doce
   JailsonVieria – baixo contínuo (“cravo”)

Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, Áustria, 1756 – Viena, Áustria, 1791)
Andante em Dó maior para Flauta e Orquestra, K. 315/285e

   Pr. Jaime Junior – flauta
   Anita Swedberg – piano

Jürgen Golle (Zwickau, Alemanha, 1942 n.)
Sonatina No 1 para Flauta e Piano

   Daniel de Sá – flauta
   Anita Swedberg – piano

3ª PARTE

Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 1887 – 1959)
Prelúdio No. 3 para Violão solo

Choro No. 1 para Violão solo

   Pr. Renato Brito - violão

Gioachino Rossini (Pesaro, Itália, 1792 – Paris, França, 1868)
Dueto Cômico de Dois Gatos

   Yumy Amaral – uma gata
   Pr. Filipe Soares – um gato
   Anita Swedberg – uma pianista

TERCEIRO RECITAL DE PROFESSORES
(da esq. para a dir.): Pr. Renato Brito, Pr. Mark Willson,
Pr. Jaime Fernandes Costa Jr., Profa. Karine Teles,
Jailson Vieira,Pr. Filipe Soares, Daniel de Sá,
 Anita Swedberg, Yumy Amaral  - Em baixo, eu :-)
Foto: Gisele Lourenço

Muito grato a Deus pela oportunidade,
Renato Costa

P.S.: Dediquei o Compartilhamento Musical de número 49 à obra de Stephen Lounsbrough que cantamos no fim da cantata "Redenção". Para ler o post, clique aqui.

29/03/2014

Compartilhamento Musical 48

Oi, gente.

Depois de um tempo excessivamente longo, recuperando-me de uma cirurgia na coluna, volto às postagens. Para o retorno, o primeiro movimento, a Allemande, da Partita para flauta solo de Bach, BWV 1013. O termo Partita originalmente se referia à música para um instrumento solo, mas compositores como Kuhnau e Bach a associaram a uma seqüência de peças musicais, como sinônimo para “suíte”.

A versão que compartilho hoje é na flauta doce e foi gravada em uma competição. Jan Van Hoecke nos mostra o que eu já disse antes aqui no blog: Quando uma peça para instrumento solo é bem escrita, não há necessidade de acompanhamento. A música se sustenta em seu contexto próprio e você não sente falta de nada! (Veja CM 5 e CM 19).



 

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Abraço,
Renato

21/12/2013

Compartilhamento Musical 47

Georg Friderich Handel (16851759)

Oi, gente.

Depois de quase surtar por perceber que nunca postei nada de Handel, vou aproveitar esta época de Natal e compartilhar com vocês um trecho de seu famoso oratório “Messias”, retirado da Bíblia:



“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9.6)

Gosto muito desta passagem por uma razão especial. É comum, nesta época de Natal, as pessoas lembrarem de Jesus no presépio, como um menino indefeso. O problema está em ficar APENAS com essa imagem, pois, como o trecho de Isaías revela, esse menino veio com a finalidade de ser o Rei, sobre cujos ombros está o governo! O trecho nos ajuda a imaginar Cristo HOJE, com todo o seu poder e autoridade!

A música tem um entrelaçado de vozes muito empolgante! Procure perceber como a frase: “For unto us a child is born...” faz sua entrada nos diferentes naipes do coro.

O coro, a propósito, é o excelente Choir of King’s College,de Cambridge. Esses meninos são excelentes! Imagino que devem receber açoites para cantar tão bem assim! :-) No vídeo de hoje, são acompanhados pela Academy of Ancient Music e regidos por Stephen Cleobury, que é o diretor musical do coro.

Bom proveito!



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Abraço,
Renato

09/11/2013

Compartilhamento Musical 46

 
 Achilles-Claude Debussy (18621918)

Oi, gente.

Há vários anos, fui a um recital em um dos Festivais “Eleazar de Carvalho”, aqui em Fortaleza, e o professor de flauta do festival encerrou o concerto com uma peça que me deixou muito impressionado. Lembro-me de que o flautista, sem ser acompanhado por outro instrumento, terminou a peça muito pianissimamente! A acústica do teatro respondeu bem. Quando você pensava que o som ia sumir, ainda estava lá, muito, muito suave! Nunca me esqueci disso!

Apesar de, pessoalmente, ter dificuldade para “degustar” música do século XX, fui tomado pela beleza dessa música. Tratava-se de "Syrinx", do compositor Claude Debussy (1862 – 1918), uma peça para flauta solo, escrita em 1913. Segundo a mitologia grega, Syrinx foi perseguida por Pã após rejeitá-lo. Fugindo, Syrinx pede às ninfas do rio Ladon que mudem sua forma. Ela é, então, transformada em bambu. Quando Pã a alcança, tudo o que acha é bambu e o som que o vento produz ao passar por ele. Pã fica encantado com o som e junta alguns bambus, produzindo um instrumento musical que chama de Syrinx, em honra à ninfa.

Mitologia à parte, que peça linda e misteriosa que hoje nos será apresentada pelo excelente flautista suíço Emmanuel Pahud, que, diga-se de passagem, é o primeiro flautista da Filarmônica de Berlim!

Bom proveito!



Deixe seu comentário.

Abraço,
Renato
P.S.: Para os interessados em lingüística, li que a palavra “seringa” veio daí. E tem tudo a ver! Um bambu cortado na transversal nada mais é que uma grande seringa, não é mesmo? :-)

24/08/2013

X Semana de Música Sacra (SBRC)

Entre 2 e 7 de julho deste ano ocorreu a X Semana de Música Sacra do Seminário Batista do Cariri. Houve, desta vez, a preparação de três “cantatas”: uma para crianças, uma para adultos, ambas com composições de músicos que apóiam o evento. Como terceira obra para apresentação, alguns do grupo preparamos trechos do Oratório “Elias”, de Felix Mendelssohn. Paralelamente, durante a semana, os participantes se envolviam com oficinas de prática instrumental, aulas de teoria musical, teologia da adoração e, para “sobremesa”, Compartilhamento Musical!

1a apresentação dos trechos selecionados do Oratório "Elias",
de Felix Mendelssohn-Bartholdy

De forma semelhante ao ano passado, o último dia do Compartilhamento Musical foi um recital didático de música erudita com os professores do evento e alunos convidados. (Para ler sobre o recital do ano passado, clique aqui.) Neste ano, o repertório foi:


Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, 1756 – Viena, 1791)
 Sonata para Flauta e Piano, KV 13
   I – Allegro
   II – Andante
   III – Menuetto primo – Menuetto secondo
     Daniel de Sá – flauta
     Renato Costa – piano

Ludwig van Beethoven (Bonn, 1770 – Viena, 1827)
 Sonata para Violino e Piano, Opus 24 “Primavera”
   I – Allegro
   II – Adagio molto espressivo
   III – Scherzo: Allegro molto
   IV – Rondo: Allegro ma non troppo
     Stephen Lounsbrough – violino
     Renato Costa – piano

Franz Schubert (Viena, 1797 – 1828)

Canções do ciclo “Die Winterreise”
(A Jornada de Inverno)
D. 911 / Opus 89


No. 1 – Gute Nacht (Boa Noite)
  Olivia Ferguson – soprano
  Renato Costa – piano

No. 3 – Gefrorne Tränen (Lágrimas Geladas)
  Olivia Ferguson – soprano
  Renato Costa – piano

No. 7 – Auf dem Flusse (Sobre o Rio)
  Joy Baxter – soprano
  Anita Swedberg – piano

No. 6 – Wasserflut (A Inundação)
  Olivia Ferguson – soprano
  Jailson Vieira – piano

No. 12 – Einsamkeit (Solidão)
  Olivia Ferguson – soprano
  Jailson Vieira – piano

No. 5 – Der Lindenbaum (A Tília)
  Yumy Amaral – soprano
  Anita Swedberg – piano

No. 13 – Die Post (O Correio)
  Olivia Ferguson – soprano
  Anita Swedberg – piano

No. 15 – Die Krähe (A Gralha)
  Olivia Ferguson – soprano
  Anita Swedberg – piano

No. 10 – Rast (Repouso)
  Joy Baxter – soprano
  Anita Swedberg – piano

No. 18 – Der stürmische Morgen (Manhã Tempestuosa)
  Olivia Ferguson – soprano
  Renato Costa – piano

Der Hirt auf dem Felsen (O Pastor no Rochedo)
D. 965 / Op. Posth. 129

  Olivia Ferguson – soprano
  Rafael Omar Nachabe – clarinete
  Renato Costa – piano

 SEGUNDO RECITAL DE PROFESSORES
(da esq. para a dir.): Yumi Amaral, Jailson Vieira, Karine Teles,
Daniel de Sá, Rafael Omar, Olivia Ferguson, Stephen Lounsbrough,
Joy Baxter, Anita Swedberg - Em baixo, eu :-)

Muito a grato a Deus pela oportunidade,
Renato Costa
Fotos: Joshua Huang

Compartilhamento Musical 45 (5 anos!!!)

Oi, gente.

No último dia 1 de agosto, o Compartilhamento Musical completou 5 anos! Como de costume, gosto de compartilhar trechos da Paixão Segundo Mateus, de Bach para celebrarmos! (Para ler os posts de aniversário escritos até agora, clique em CM 1, CM 15, CM 26 e CM 38.)

No trecho que compartilho hoje, Jesus anuncia que será traído. O coro, no papel dos discípulos, pergunta: “Porventura, sou eu, Senhor!” Apesar de sabermos que é Judas Iscariotes, ouvimos o coro a meditar: “Sou eu! Eu deveria pagar...” Percebam o dinamismo com o qual Bach retrata este momento tenso da narrativa do Evangelho!

Longa vida a este espaço da boa música!


 

Evangelista – Jörg Dürmüller (tenor)
Jesus – Ekkehard Abele (baixo)
Judas – Klaus Mertens (baixo)
The Amsterdam Baroque Orchestra & Choir
Regente: Ton Koopman (ao órgão)


Deixe seu comentário.

Abraço,
Renato

 A TEMPO...

Como já é costume toda vez que eu adquiro uma nova flauta, compartilho agora, meio atrasado, a aquisição de minha primeira flauta doce soprano de madeira. Recebi-a do luthier Marcos Ximenes em novembro de 2012.


A flauta, afinada em 440Hz, foi feita em madeira Cocobolo (Jacarandá do México) e é baseado em um modelo de Robert Wijne. Atualmente estou estudando com esta flauta uma obra do compositor Johann Cristoph Pepusch (1667 - 1752).

Marcos Ximenes mudou seu site. Já atualizei o link nos posts antigos em que o menciono (CM 25, CM 38). Para visitar o novo site, clique aqui.

25/07/2013

Compartilhamento Musical 44


Uma das duas únicas fotografias de Chopin. Esta foi tirada em 1849, na casa de seu editor, em Paris, poucos meses antes de sua morte.

Oi, gente.

Alguns vão achar, no mínimo, esquisito, mas hoje quero compartilhar uma marcha fúnebre. Tenho a impressão de que é a marcha fúnebre mais conhecida da música ocidental: a de Chopin!

Trata-se do terceiro movimento de sua Sonata para Piano No. 2, Opus 35, que foi finalizada em 1839, tendo a marcha fúnebre sido composta até uns dois anos antes. Na partitura, lemos “Marche funèbre: Lento”. A marcha fúnebre, em Si-bemol menor, alterna-se com um interlúdio (“Lento”), em Ré-bemol maior, que é lindíssimo e pouca gente conhece. (No vídeo, vai de 2:43 a 6:56.) Aliás, a própria parte da marcha é também música linda! O movimento está aqui na íntegra para vocês apreciarem. Foi usado no funeral de J. F. Kennedy e de Margareth Thatcher. De acordo com a Wikipedia, tocaram-no ao túmulo de Chopin, na ocasião de seu funeral.



Janeiro de 1998... Ao lado do túmulo de Chopin, no Cemitério Père Lachaise, em Paris. Lembro-me de que meu amigo de viagem estranhou muito meu desejo de registrar essa pose, haja vista seu dedo na foto...
Momento tenso... :-)

Notem que o piano do vídeo NÃO É um Steinway! Se prestarem atenção, vão ler FAZIOLI impresso no instrumento. Ouvi dizer que são os pianos mais caros do mundo. O modelo F308 é o piano com a cauda mais longa do mundo e tem também um quarto pedal, que leva os martelos mais perto das cordas, em um efeito parecido com o pedal abafador de um piano de armário, só que mantendo a qualidade da produção do som. Não sei se este é o modelo usado na gravação, mas o instrumento em si é um espetáculo à parte. Recomendo a leitura do livro “A Loja de Pianos da Rive Gauche”, de T. E. Carhart (editora Record), ou uma visita à Wikipedia para ler sobre a curiosa história dessa fábrica de pianos.

Finalmente, trazemos pela primeira vez aqui no Compartilhamento Musical a pianista canadense Angela Hewitt, super competente, uma dama do piano! Gosto muito do som dela ao tocar Bach em um piano de cauda. E ela também não deixa nada a desejar neste Chopin!

A morte, em si, é algo terrível, mas Cristo a venceu!


Aumente um pouco o volume no início e bom proveito!


 

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Abraço,
Renato

18/05/2013

Compartilhamento Musical 43

Oi, gente.

Hoje quero compartilhar uma faixa de um DVD que adquiri já faz um bom tempo. Traz a Akademie für Alte Musik Berlin (ou ‘Academia de Música Antiga de Berlin’), que é uma orquestra que toca com instrumentos ou cópias de época. Eles são excelentes! Aquele som “barrocão” cheio e gostoso de ouvir! Cordas feitas de tripas de animais, sabia?

O DVD de onde tirei essa faixa apresenta os motetos de Bach, que são obras vocais sacras, que não compartilharei hoje embora pretenda no futuro. Entre um moteto e outro, no DVD, a orquestra apresenta uma peça instrumental retirada de cantatas de Bach. Esta, por exemplo, é a que abre a Cantata BWV 35.

Bach costumava “reaproveitar” material previamente composto. No caso de hoje, este ‘Concerto’ (ou ‘Sinfonia’) é o mesmo material do conhecido concerto para cravo e orquestra BWV 1052, que, por sua vez, é uma reconstrução do que pode ter sido originalmente um concerto para violino ou oboé.

Nesta versão, o solo fica por conta do organista. Perceba que ele toca um órgão de pequeno porte. Mesmo assim, o som da obra enche toda essa igreja em Berlim, onde o vídeo foi gravado. A música é muito empolgante! Eu gosto particularmente do trecho que se inicia em 6:00 e parece nos levar a regiões ainda não exploradas pela música até aquele momento. Uma viagem! E depois, a volta ao tema, em 6:45. Gosto muito dessa orquestra e recomendo suas gravações, especialmente a dos Concertos de Brandemburgo, também de Bach. O regente hoje é Hans-Christoph Rademann.

Bom proveito!



 

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Abraço,
Renato

25/03/2013

Compartilhamento Musical 42


Beleza!

Por que, ao longo dos anos, afastaram-se da beleza e chamaram o resultado de “evolução musical”? Numa época em que muitos consideram a verdade e a beleza como conceitos “arcaicos”, “fora de moda”, oponho-me ao deparar-me com a lembrança do Concerto para Flauta e Harpa, de Mozart!

Mas não pretendo filosofar. Quero mesmo é compartilhar! Este concerto traz uma das mais eficientes combinações de instrumentos: flauta e harpa. Mesmo assim, sabemos hoje que Mozart não gostava de compor para a flauta. Percebe-se isso na correspondência entre Mozart e seu pai. E o que dizer sobre seu gosto pela harpa, considerando que esta é a única composição que dedicou ao instrumento? Só sei que, qualquer que tenha sido seu gosto, nada o impediu de compor esta maravilha de música!

Confesso a vocês que lutei muito contra mim mesmo e, desta vez, não consegui escolher um movimento apenas. Postei o concerto todo, os três movimentos! É tudo muito lindo, mas, se você não dispuser de muito tempo agora, vá direto ao segundo movimento. Há quem diga que esse movimento é a coisa mais linda que alguém já compôs. Se tiver mais tempo, coisa rara neste mundo frenético, mergulhe nesta música, ouvindo os três movimentos, um atrás do outro...

Quem nos brinda hoje com o talento são o maestro e flautista Béla Drahos, à frente da Orquestra Sinfônica de Budapeste, e a harpista Andrea Vigh. O concerto foi gravado na belíssima sala da Academia de Música Ferenc Liszt, em Budapeste, na Hungria.

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I - Allegro


II - Andantino


III - Rondeau - Allegro

Dedico este CM ao amigo Mauro Clark, que costuma ir a seu gabinete após o almoço ouvir um pouco de boa música. A ele ofereço este Mozart, hoje, data de seu aniversário. Que Deus o abençoe!

Abraço a todos,
Renato

16/02/2013

Compartilhamento Musical 41


Romeu e Julieta, a louca paixão adolescente imortalizada por Shakespeare! De famílias inimigas, os jovens foram se apaixonar logo um pelo outro... O plano de fuga sugerido pelo imprudente frei: uma poção faria Julieta parecer morta. Romeu receberia a notícia de que ela apenas dormia e que acordaria para ele em sua tumba, mas a mensagem não chega a tempo. Romeu, pensando que perdera para sempre sua amada, tira sua vida com um potente veneno. Julieta acorda para ver seu amado morto e tira sua vida com um punhal.

Poucas coisas na literatura conseguem ser mais dramáticas do que isso!

Segundo Karl Amenda, amigo de Beethoven, o grande compositor tinha a cena da tumba de Romeu e Julieta em mente quando compôs o segundo movimento de seu primeiro quarteto de cordas (Opus 18 No. 1). E é esse “Adagio affetuoso ed appassionato” que quero compartilhar com vocês hoje, na interpretação do Afiara String Quartet.

Será que é possível perceber na música o drama? A frustração dos personagens? A paixão insana? O cheiro de morte?

Isso é com você...


 

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Abraço,
Renato

25/12/2012

Compartilhamento Musical 40

Oi, gente.

No Natal do ano passado estava em Leipzig, na Alemanha, e tive a oportunidade de ouvir ao vivo uma peça linda para coral. Na época, apenas fiquei extasiado com a beleza da música. Não conhecia nem o compositor e, infelizmente, nem o que dizia a letra. Neste Natal, quero compartilhá-la com vocês.

O Magnum Mysterium é um texto responsorial das Matinas de Natal. Vários compositores musicaram o trecho, que exponho mais abaixo no original em latim e em português.

A simplicidade da descrição me arrebata. As palavras, simples, humanas, limitadas, procuram, em vão, descrever um momento sublime: tarefa impossível! A virgem, Maria, deu à luz o Salvador, Jesus Cristo. Na manjedoura, o Criador do universo é contemplado por simples animais. A própria virgem devia estar absorta em seus pensamentos, pois foi achada digna de carregar em seu ventre o Salvador.

E é esse o grande mistério descrito no texto. Um momento de perplexidade!


Original em Latim

O magnum mysterium,
et admirabile sacramentum,
ut animalia viderent Dominum natum,
jacentem in praesepio!

Beata virgo, cujus viscera

meruerunt portare
Dominum Christum.

Alleluia!



Tradução para o português

Ó grande mistério,
e admirável sacramento*,
pois os animais viram o Senhor recém-nascido,
reclinado na manjedoura!

Bem-aventurada é a virgem, cujas entranhas

acharam-se dignas de carregar
o Senhor Jesus Cristo.

Aleluia!


* sacramento: algo de significado misterioso e sacro

A versão que ouviremos foi composta pelo americano Morten Lauridsen em 1994. A interpretação fica a cargo do Coro da Catedral de Winchester, na Inglaterra. O vídeo não tem uma qualidade muito boa, mas deixe-se arrebatar pela música!



Um ótimo período natalino a todos e uma passagem de ano com paz.

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Abraço,
Renato

28/10/2012

Compartilhamento Musical 39d


Olha! Ali, ali... São quatro besouros! Ou será um só?

Este é o último dos posts sobre “O Vôo do Besouro”... (Quem perdeu o primeiro pode clicar aqui; quem perdeu o segundo clique aqui; quem perdeu o terceiro, clique aqui.)

Nosso último besouro é um show de criatividade, mas, sei lá, pode haver quem diga que os músicos passaram um pouco da linha de fronteira com o mal gosto. Particularmente gostei muito do bem-humorado arranjo que o jovem clarinetista Martin Fröst e a excelente Malena Ernman executam com o pianista Niklas Sivelöv. Divirtam-se!

Olha o besouro!


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Abraço,
Renato