20/10/2012

Compartilhamento Musical 39c

Georges Cziffra (1921 - 1994)

Olha! Ali, ali... São quatro besouros! Ou será um só?

Este é o terceiro post de uma seqüência especial neste mês dedicado ao “Vôo do Besouro”... (Quem perdeu o primeiro pode clicar aqui; quem perdeu o segundo clique aqui.)

VIRTUOSE: 1 Pessoa dotada de excepcional habilidade técnica ou invulgar talento artístico. 2 Músico de notável habilidade interpretativa pessoal. 3 por ext Pessoa que soube elevar à arte uma disciplina corriqueira. (Fonte: Michaelis, dicionário online)

Como se já não fosse difícil a transcrição feita por Rachmaninoff, um pianista húngaro chamado Cziffra teve a idéia de dificultar o vôo para o besouro de Rimsky-Korsakov! Cziffra decide intercalar oitavas e tudo fica muito frenético. Quem interpreta este terceiro besouro para nós é a jovem virtuose chinesa Yuja Wang. Muito impressionante o que ela faz com o pobre do instrumento!

Olha o besouro!



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Abraço,
Renato

12/10/2012

Compartilhamento Musical 39b

As mãos de Sergei Vasilievich Rachmaninoff (1873 - 1943)
 
Olha! Ali, ali... São quatro besouros! Ou será um só?

Continuando a seqüência de posts sobre “O Vôo do Besouro”... (Quem perdeu o primeiro pode clicar aqui.)

Como falei no post passado, a peça foi transcrita e arranjada diversas vezes. Uma das transcrições mais famosas é a que Rachmaninoff fez para piano. “Rach” certamente foi um dos maiores pianistas do século passado. Possuía mãos enormes, que lhe permitiam tocar diversas configurações de acordes com grande destreza. Sua técnica era de uma clareza notável, contrapondo-se a vários pianistas que costumavam “embolar” as notas com o pedal do piano.

Hoje compartilho uma gravação histórica, feita em 1929. O próprio Rachmaninoff está tocando sua transcrição do “Vôo do Besouro”. Infelizmente, não temos o video, mas o áudio é uma raridade que vocês podem apreciar!

Olha o besouro!



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Abraço,
Renato

30/09/2012

Compartilhamento Musical 39a

 Nikolai Andreyevich Rimsky-Korsakov (1844 – 1908)

Olha! Ali, ali... São quatro besouros! Ou será um só?

Acho que quase todos vocês conhecem “O Vôo do Besouro”, escrito pelo russo Nikolai Rimsky-Korsakov como parte de sua ópera “O Conto do Czar Saltan”.

Este interlúdio foi transcrito inúmeras vezes para diversos tipos de instrumentação, o que me inspirou a fazer algo inédito durante este mês: Hoje compartilho a partitura do original de Rimsky-Korsakov, interpretada pela Orquestra Filarmônica de Berlin, sob a batuta de Zubin Mehta. Nas próximas semanas, seguirei postanto três outras versões, uma a cada novo Compartilhamento Musical.

Olha o besouro!



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Abraço,
Renato
P.S.:Quando encontrar o  mesmo vídeo com uma qualidade melhor, reposto-o.

31/08/2012

Compartilhamento Musical 38 (4 anos!!!)

Philipp Herreweghe

Oi, gente!

Antes que o mês de agosto acabe, gostaria de comemorar com vocês os 4 anos do Compartilhamento Musical! Hoje temos 280 inscritos na lista do Blog, que recebem um lembrete toda vez que posto algo novo. Gostaria muito de poder ser um blogueiro mais freqüente, mas até agora a produção está subordinada a meu tempo livre, que não é muito. Mesmo assim, o trabalho continua sendo feito com a mesma seriedade do início, 1 de agosto de 2008. Espero que tenha sido de valia aos curiosos pela música erudita.

Como tem sido o costume (à exceção do ano passado, que, infelizmente, deixei passar em branco), gosto de postar no aniversário do CM trechos da Paixão Segundo Mateus, de Johann Sebastian Bach, pois foi a obra que deu início aos Compartilhamentos. (Para ler os posts de aniversário escritos até agora, clique em CM 1, CM 15 e CM 26.)

O trecho que escolhi para hoje foi a abertura da “Paixão...”. Nela, percebe-se a imensa carga dramática que Bach delegou à música, que espelha, obviamente, toda a solenidade do sofrimento do Senhor Jesus Cristo, o Salvador, em seus momentos finais do ministério em sua primeira vinda.

Bach usa dois coros e duas orquestras. Perceba a organização deles na sala de concertos da Filarmônica de Köln (que tive o privilégio de visitar em 1998), no vídeo: um coro à esquerda e um à direita, envolvidos em perguntas e respostas (ex.: coro I “Vede!”; coro II “Quem?”; coro I “O noivo!”). Se você tiver um bom equipamento, perceberá isso mais nitidamente a partir de 3:12, bem como em vários outros momentos. Há também um grupo de sopranos entre os dois coros. Elas estão a cargo do ‘cantus firmus’, que costumava ser uma melodia já conhecida, com notas geralmente longas, e que servia de coluna vertebral para o desenvolvimento da polifonia da obra.
No vídeo, pus a tradução do cantus firmus entre colchetes para distingui-lo das demais vozes. (Alternativamente, na execução desta obra, alguns regentes optam por um coral com crianças para fazer a parte do cantus firmus. Fica lindíssimo o contraste entre os adultos dos dois coros e as vozes dos miudinhos!)

Quem conduz a execução hoje é um regente que admiro muito: o belga Philipp Herreweghe. Esse senhor, de nome difícil de pronunciar, iniciou seus estudos em medicina, preparando-se para uma carreira em psiquiatria na Universidade de Gent, ao mesmo tempo em que estudava no Conservatório de Gent. Começou seu trabalho como regente durante esse período, mas em 1970 fundou o Collegium Vocale Gent (o coro do vídeo de hoje) e decidiu deixar a medicina. Tornou-se um regente respeitadíssimo e é considerado um dos grandes especialistas em Bach. É um de meus favoritos, com certeza!




Aproveito a oportunidade de aniversário para compartilhar também o recebimento de minha segunda flauta doce de madeira.

Desta vez, uma contralto feita em Cocobolo, também chamada de Jacarandá do México, modelo Bressan, com o lá afinado em 415Hz, que costuma ser uma afinação apropriada para tocar repertório barroco.
Mais um trabalho excelente do luthier Marcos Ximenes!

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Grande abraço,
Renato

28/07/2012

Compartilhamento Musical 37

 Oi, gente!

Em abril estive no Rio de Janeiro e, em uma das noites, fui a um concerto de membros da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro: obras de Bach, Vivaldi e Biber. Quando ouvi a “Battalia”, deste último compositor, decidi imediatamente que seria o próximo Compartilhamento Musical e agora estou cumprindo a intenção!

Eu já tinha ouvido essa obra em um vídeo e achei interessantíssima, mas ‘ao vivo’ foi extraordinário! E os músicos da UFRJ estão de parabéns! 


Abaixo procuro resumir algumas informações sobre essa obra curiosíssima, o que credito a um artigo de Abgar Renault Neto. Vale à pena dar uma lida com calma e acompanhar o vídeo depois.

Heinrich Ignaz Franz Biber von Bibern (1644 – 1704) escreveu esta peça em 1673. A obra, em oito pequenos movimentos, é um perfeito exemplo de música programática, ou seja, uma narrativa, descrição de cenas e de personagens estruturando um roteiro:


Primeiro movimento: Uma fanfarra conclamatória: um exército chega a uma vila e conclama seus moradores “À batalha!”. Durante o movimento, pode-se perceber tanto uma entusiasmada resposta afirmativa, quanto um breve momento de dúvida. Na partitura, pede-se que os intérpretes percutam col legno as laterais dos instrumentos para imitar os passos dos soldados.

Segundo movimento: Leva por subtítulo “A Torpe Sociedade Do Humor Comum”. Aqui, os mosqueteiros bêbados, cada um, entoa uma melodia diferente ao mesmo tempo. As oito canções, de várias partes da Europa, tecem uma colcha de retalhos politonal. As melodias têm início em compassos e pulsos diferentes. A intenção é promover ao máximo a defasagem entre as vozes, retratando o comportamento dissoluto desses mercenários.

Terceiro movimento: Elegantes estocadas de floretes, onde o pizzicato (quando a corda do instrumento é percutida pelos dedos em vez de friccionada pelo arco) seria o tilintar das lâminas numa educada e inofensiva disputa de esgrima entre cavalheiros (certamente não mais os mosqueteiros do movimento anterior).

Quarto movimento: Tem o título “A Marcha”. Aqui, o violino e o violone (baixo) imitam, respectivamente, um flautim e um tambor, combinação típica do campo de batalha. Biber dá instruções para que se ponha uma folha de papel entre as cordas do instrumento que faz o baixo, para imitar essa sonoridade.

Quinto movimento: Único movimento ternário, com figuras pontuadas, produzindo a sensação do movimento de uma cavalgada. Aqui, pode-se re-encontrar os “galantes esgrimistas” em contraste com a dissoluta cacofonia do segundo movimento. Percebe-se também o contraste entre a rudeza do andamento da marcha (quarto movimento) e o elegante saltitar da cavalgada. Trata-se de dois grupos de indivíduos, duas classes sociais distintas: De um lado, nobres cavaleiros ou outros cidadãos de posse; de outro, a ralé das fileiras da infantaria a pé, formada pelos mercenários apátridas, rudes e pouco confiáveis, provavelmente complementada por camponeses sem outra opção.

Sexto movimento: Representa a despedida entre os soldados e suas famílias. Apesar de ter sido escrito em Ré Maior, Biber utiliza recursos diversos de modo a retratar melancolia. As frases parecem lamentosas, entrecortadas por soluços. Para Abgar Renault Neto, trata-se do Ré Maior mais triste da História...

Sétimo movimento: “A Batalha”. Há uma palpitante pulsação durante todo o movimento, que sugere a inquietação do campo de batalha. Paralelamente, os violones seguem energicamente as instruções de Biber: “a batalha não deve ser tocada com o arco, mas com os dedos da mão direita, estalando com força a corda como um fragoroso tiro de canhão.” Os tiros se intensificam, conduzindo a batalha ao seu arrebatador e abrupto desfecho, na mínima final.

Oitavo movimento: “O Lamento Dos Mosqueteiros Feridos” Os soldados feridos lamentam-se amargamente, afetos sugeridos pela harmonia, a mais complexa de toda a obra. As dissonâncias sugerem dor e destruição ao redor. Os sentimentos são conflitantes: os soldados tentam, em vão, resgatar a alegria e a euforia que os iludiu desde o início (tema da conclamação transformado em lamento, fúnebre). Um breve e dramático lamento se perde em meio às vozes que, por fim, se calam.

Quem nos brinda hoje com sua empolgação é Jean-Christophe Spinosi e seu Ensemble Matheus. Aumente o volume e: À batalha!

 

 

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Abraço,
Renato

25/07/2012

IX Semana de Música Sacra (SBRC)


Oi, gente!

Desde 2008 tenho participado da Semana de Música Sacra, promovida pelo Seminário Batista Regular do Cariri, no Crato. Todo mês de julho, crianças, jovens e adultos entram numa maratona com aulas de teoria musical, história da música, técnica vocal e instrumental, etc. Paralelamente, prepara-se um concerto a ser apresentado nos últimos dias do evento. Neste ano apresentamos duas apresentações: “Ao Encontro de Deus”, com uma compilação de hinos conhecidos, e seleções do “Messias”, de Handel.

 Orquestra e Coro da IX Semana de Música Sacra
do Seminário Batista do Cariri
regidos por Daniel de Sá
(Ensaio da Cantata "Ao Encontro de Deus")

Desde 2010, fui convidado pelo Pr. Carlos Renato de Lima Brito, organizador do evento, para trabalhar com formação de platéia, com sessões de “Compartilhamento Musical” visando desenvolver entre os alunos apreciação de repertório erudito. A resposta tem sido muito positiva e este já é o terceiro ano de contribuição, que trouxe também uma novidade: Foi realizado o Primeiro Recital de Professores. Na sexta-feira, dia 6 de julho, o corpo docente da Semana de Música Sacra apresentou-se em um recital didático para os alunos e também aberto ao público. Também fomos brindados com a presença da Profa. Karine Teles, que apresentou o recital e fez os comentários didáticos sobre as obras executadas. O repertório foi todo de música erudita. Foi o primeiro Compartilhamento Musical realmente ao vivo!

Para mim, foi um desafio organizar o recital. Tudo por email: escolha de repertório, dos músicos, esquemas de ensaio, etc. Mas foi um prazer e um privilégio. Abaixo listo o programa, cheio de gratidão em Cristo, para registro desse momento tão importante para o CM: 

 Georg Philipp Telemann (Magdeburgo, 1681 – Hamburgo, 1767)
Sonata para duas flautas em fá maior, Opus 2 No. 1
I – Dolce
II – Allegro
III – Largo
IV – Vivace
Daniel Sá – flauta transversa
Renato Costa – flauta doce

Johann Sebastian Bach (Eisenach, 1685 – Leipzig, 1750)
Ária  “Aus Liebe will mein Heiland sterben”
da “Paixão Segundo Mateus”
Olivia Ferguson – soprano
Renato Costa – flauta doce
Jailson Vieira – órgão

Ária “Bist du bei mir, geh ich mit Freuden”
do “Caderno de Anna Magdalena”
Joy Baxter – soprano
Wandemberg Alencar – piano

Ária “Jesus soll mein erstes Wort”
da Cantata BWV 171
Olivia Ferguson – soprano
Stephen Lounsbrough – violino
Renato Costa – piano

Partita No. 2, BWV 1002 – Tempo di borea
Pr. Renato Brito – violão

Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburgo, 1756 – Viena, 1791)
Sonata para Violino e Piano, KV 301
I – Allegro con spirito
II – Allegro
Stephen Lounsbrough – violino
Renato Costa – piano

Ludwig van Beethoven (Bonn, 1770 – Viena, 1827)
Ich liebe dich, so wie du mich, WoO 123
Joy Baxter – soprano
Wandemberg Alencar – piano

Franz Schubert (Viena, 1797 – 1828)
Lachen und weinen D. 777
Heidenröslein D. 257
Olivia Ferguson – soprano
Renato Costa – piano

Felix Mendelssohn Bartholdy (Hamburgo, 1809 – Leipzig, 1847)
Ária “Jerusalem, Jerusalem!”
do Oratório “Paulus”, Op. 36
Joy Baxter – soprano
Wandemberg Alencar – piano

Fryderyk Franciszek Chopin
(Żelazowa Wola, Polônia, 1810 – Paris, 1849)
Valsa em si menor Opus post. 69 No. 2 BI 35
Joy Baxter – piano

Johannes Brahms (Hamburgo, 1833 – Viena, 1897)
Dança Húngara No. 5 (piano a 4 mãos)
Jailson Vieira
Renato Costa

Arvo Pärt (Paide, Estônia, 1935-)
Spiegel im spiegel [“Espelho no espelho”]
Stephen Lounsbrough – violino
Renato Costa – piano

 

PRIMEIRO RECITAL DO COMPARTILHAMENTO MUSICAL
Foto 1 (da esq. para a dir.): Jailson Vieira, Stephen Lounsbrough,
Olivia Ferguson, Joy Baxter, Karine Teles, Wandemberg Alencar, eu.
Foto 2 (da esq. para a dir.): Pr. Renato Brito, Daniel de Sá...

Muito grato a Deus pela oportunidade,
Renato Costa

04/04/2012

Compartilhamento Musical 36

Oi, gente!

Recentemente adquiri um CD de obras de Bach com arranjos para flauta doce, viola da gamba e alaúde. O CD é todo ótimo, mas uma determinada faixa para alaúde solo me elevou sobremaneira. Infelizmente, não consegui o vídeo para postar aqui, mas permaneceu a vontade de compartilhar com vocês esse instrumento de som agradabilíssimo.

Transcrevo abaixo informações do excelente “História da Música Ocidental” (Jean & Brigitte Massin):

“O alaúde, cuja caixa tem a forma de uma pêra cortada ao meio, é dotado de pares de cordas, que podem ser em número de cinco, seis, dez e até quatorze. Foi um dos favoritos entre os instrumentos do Renascimento e do século XVII. Sua influência sobre o desenvolvimento da música mostrou-se considerável (tomada de consciência da harmonia, desenvolvimento do canto solista acompanhado, nascimento da suíte instrumental). (...) No final do século XVII, o alaúde pouco a pouco entrou em declínio, até que foi suplantado pelo cravo no início do século XVIII. A sonoridade do alaúde é doce, cheia, sonhadora. É, por excelência, o instrumento da música intimista.”


Ouviremos Luca Pianca, membro da orquestra barroca ‘Il Giardino Armonico’, executando obras de Robert de Visée (ca. 1655 – 1732/33). Visée trabalhou na corte de Luis XIV (o Rei Sol), na França, mas acredita-se que sua origem seja portuguesa. Compôs música para violão, alaúde e teorbo. Sua tarefa na corte era ensinar música para o rei e para o delfim (herdeiro da casa real francesa), transcrevendo obras de seus colegas. A ‘Abertura para a Gruta de Versalhes’, do compositor Jean-Baptiste Lully, foi transcrita por Visée e abre nosso Compartilhamento de hoje, seguida de dois movimentos de dança: uma Musette e uma Mascarade (baile de máscaras).

Aproveitem a sonoridade do instrumento e as belas imagens do vídeo, que foi filmado realmente em uma gruta! Será que é a tal Gruta de Versalhes? Ih! Deu vontade de ir lá conferir :)



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Abraço,
Renato

13/02/2012

Compartilhamento Musical 35

Oi, gente!

Primeiro, quero agradecer aos que acompanharam minha viagem pela Europa em busca de concertos. Acabou sendo também um baita Compartilhamento Musica! Foi muito bom compartilhar com vocês os concertos ao vivo a que pude assistir na Alemanha e na República Tcheca. Acabei de publicar o último post e ainda dá para vocês irem ao outro blog [www.dezembrolouco2011.blogspot.com] e checar essa aventura.

Muito bem, 2012 começa com algo especial. É a primeira vez que Schubert adentra nosso espaço. Também vou ter a honra de apresentar-lhes um grande pianista: Alfred Brendel.


 Franz Peter Schubert
(31 de janeiro de 1797 – 19 de novembro de 1828)


Franz Schubert viveu no início do período romântico. Compôs uns 600 lieder (lied é canção, em alemão), nove sinfonias, música sacra, óperas, música incidental para teatro e muita música de câmara, incluindo várias obras para piano solo. Morreu com 31 anos de idade. Durante a vida, a apreciação de sua obra foi limitada, mas hoje é um dos compositores mais tocados.

São chamados Impromptus (improvisos) oito peças para piano solo, publicadas em dois grupos de quatro. O primeiro, Opus 90, publicado durante a vida de Schubert, é de onde vem o improviso que compartilho hoje, o número 3, em sol bemol maior. Dá para perceber claramente o excepcional talento de Schubert com melodias nesta peça de caráter lírico. E ela nas mãos de Alfred Brendel soa sublime!

Conheci Brendel através de gravações de Beethoven na década de 90. Nasceu na Tchecoslováquia em 1931 e hoje mora em Londres. Apesar de ter tido uma educação musical básica e ter feito masterclasses com pianistas renomados, Brendel foi boa parte autodidata. Tudo que ele toca é muito bem interpretado, mas ele é conhecido, sobretudo, como uma referência em interpretações de compositores como Schubert, Mozart e Beethoven.

Nunca vou me esquecer quando, na década de 90, li que Brendel iria interpretar ao vivo pela última vez a Sonata Opus 106 de Beethoven, a “Hammerklavier”, obra que demanda grande esforço físico do pianista, devido a problemas de artrite. Impressionou-me perceber que ele, aos poucos, se retirava dos palcos. Mas não esperaria nada diferente de um artista tão lúcido e meticuloso no desenvolver de sua arte. Seu concerto de despedida foi em Hanover, em dezembro de 2008, após 60 anos de carreira. Recentemente, em um DVD, vi que ele agora está envolvido na divulgação de sua poesia.

No vídeo de hoje, ao olharmos o rosto de Brendel, notamos já os efeitos da idade. No entanto, o som que tira do piano continua burilado como sempre. E é assim que entendo Brendel com relação à música que escolhe tocar: um lapidador de jóias preciosas.



Abraço,
Renato

18/12/2011

NATAL 2011

Oi, gente!

Gostaria de avisar que não teremos Compartilhamento Musical de Natal neste ano, no sentido convencional. Isso é porque eu estou tendo uma oportunidade de assistir alguns concertos na Alemanha e na República Tcheca neste fim de ano, uma experiência fabulosa que estou compartilhando em outro blog. Em janeiro, se Deus quiser, continuo as postagens do Compartilhamento Musical. Enquanto isso, convido você a visitar meu outro compartilhamento:


Abraço,
Renato

15/10/2011

Compartilhamento Musical 34

Oi, gente!

Hoje quero compartilhar com vocês um concerto para violino e orquestra de Vivaldi. O que escolhi pertence ao Opus 8, do qual também fazem parte os concertos chamados “As Quatro Estações” (que pretendo postar futuramente). Ouviremos o concerto No. 7 (RV 242), dedicado ao violinista alemão Johann Georg Pisendel, que costumava visitar Vivaldi em Veneza.

O concerto tem três movimentos, como de costume no Barroco, alternando entre rápido, lento e rápido. O solista é Enrico Onofri, que é acompanhado pelos sempre animados músicos do Il Giardino Armonico, regidos por Giovanni Antonini.



Abraço,
Renato

23/08/2011

Compartilhamento Musical 33

Oi, gente!

Confesso de cara: Sou louco pela música de J. S. Bach! Recentemente assisti ao concerto do “Proms” de 2010 dedicado a Bach. O “Bach Day”, com a Royal Philharmonic Orchestra (que eu costumo de chamar de ‘a orquestra da Rainha’), apresentou a música de Bach em arranjos para orquestra sinfônica e também obras inspiradas nas obras de Bach. O vídeo é fantástico e foi difícil resistir à vontade de compartilhar todo o programa de uma vez aqui no blog.

Compartilho hoje um arranjo da famosa Tocata e Fuga em Ré menor, originalmente composta para órgão (Tocata já compartilhada no adendo do CM 7). Aqui, apresento o arranjo feito por Leopold Stokowski para grande orquestra. Talvez os mais nostálgicos vão lembrar do filme “Fantasia”, de 1940, em que o próprio Stokowski rege o seu arranjo de Bach. Apesar de gostar de algumas partes do filme “Fantasia”, prefiro esta interpretação menos afetada de Andrew Litton nessa noite do “Proms” de 2010.

Primeiro, percebam que sala de concertos maravilhosa é a Royal Albert Hall! Durante o vídeo, há algumas panorâmicas da sala, inaugurada em 1871 pela Rainha Victoria, que a dedicou à memória de seu falecido esposo, o Príncipe Albert. (Os mais curiosos assistam ao filme “A Jovem Rainha Victoria”.)

Percebam também o colorido que Stokovski, como arranjador, soube muito bem aproveitar do original para órgão. Tenho a tendência de preferir as obras originais, mas também gosto de elogiar uma orquestração bem feita. E essa certamente é uma!

A tempo: O “Proms” é um festival de música clássica que ocorre em Londres, predominantemente na Royal Albert Hall, com concertos diários durante oito semanas no verão. A tradição se iniciou em 1895. Em 2009, o número de concertos chegou a 100. O evento tem cobertura da BBC.

Gostaria muito de saber o que você achou depois de apreciar a obra. Deixe seu comentário após ver o vídeo.



Abraço,
Renato

26/06/2011

Compartilhamento Musical 32

Oi, gente!

Hoje gostaria de compartilhar com vocês um instrumento curioso, a Harmônica de Vidro. Para ser bem objetivo, retiro uma explicação da Wikipédia:

“A harmônica de vidro é constituída por um conjunto de taças de vidro semi-esféricas, de vários tamanhos, parcialmente inseridas uma dentro da outra por ordem de tamanho, de modo a fazer uma escala diatônica. Essas taças estão montadas num eixo que atravessa o centro dessas mesmas taças, e encontram-se semi-imersas num recipiente com água. Um sistema de pedal aciona o eixo de modo a que as taças girem no eixo. O instrumento é tocado friccionando os dedos em cada uma das taças umedecidas, uma para cada nota.”

Alguns dos compositores que escreveram para o instrumento foram: Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Carl Philipp Emmanuel Bach, Gaetano Donizetti e Richard Strauss.

Hoje quem toca para nós é um dos poucos experts em Harmônica de Vidro, o francês Thomas Bloch, ao visitar o programa de TV de Jean-François Zygel. Ele é acompanhado por Philippe Bernold (flauta), Alexandre Gattet (oboé), Francoise Gneri (viola) and Xavier Phillips (violoncelo).
Eles interpretam o Adagio para Quarteto e Harmônica de Vidro K 356 (617a), de Wolfgang Amadeus Mozart. Aproveitem!



Deixe seu comentário após ver o vídeo.

Abraço,
Renato

P.S.: Lamento o vídeo estar levemente dessincronizado. Espero que não seja tão perceptível.

01/05/2011

Compartilhamento Musical 31

Oi, gente!

O Concerto para Violino, Oboé, cordas e contínuo, BWV 1060R, de Johann Sebastian Bach não existe em sua forma original. Sobrevive até hoje apenas um arranjo que o próprio Bach fez, substituindo os dois instrumentos solistas por dois cravos. A partitura reconstruída que temos hoje veio desse arranjo.

O concerto tem três movimentos, que ouviremos aqui na interpretação do excêntrico Nigel Kennedy, fazendo par com Aisling Casey. Ambos são acompanhados pela Orquestra de Câmara Irlandesa.

O elemento de concerto (ver CM 11) é realizado em duas esferas. Numa, os solistas dialogam entre si, enquanto que, noutra, eles se juntam e conversam com a orquestra. Isso vale pelo menos para os dois movimentos rápidos (o primeiro e o terceiro).



No movimento lento (o segundo), o papel da orquestra é fornecer um pano de fundo para um intrincada troca de perguntas e respostas entre os solistas. Este movimento é, para mim, muito especial. Conheci o concerto por este movimento. Estava na casa de um amigo, que me disse de repente: “Tenho algo para te mostrar.” Fomos a um quarto onde sua família usava como depósito e lá estava um aparelho de som antigo, onde ele colocou um LP para tocar. Limpou a agulha da vitrola com um sopro e pôs o segundo movimento desta obra, que eu nunca tinha ouvido. Em meio à musica e aos charmosíssimos chiados do vinil, fiquei paralisado até o fim. Não tinha como descrever com palavras o que eu sentia. O diálogo entre o violino e o oboé era uma coisa muito linda e profunda. A orquestra acompanhando em pizzicato dava uma atmosfera de grandeza e ao mesmo tempo de intimidade ao momento musical. Nunca vou me esquecer da primeira vez que ouvi isso.



O concerto termina com outro movimento rápido, bem empolgante. Na minha opinião, Kennedy e seu grupo tocam mais rápido do que deveria ser, mas são coerentes e retratam bem a empolgação do fim da obra. A propósito, Nigel Kennedy ficou famoso na década de 80 justamente por suas idiossincrasias musicais e seu jeito de se portar em público. Mas apesar das diversas críticas que recebeu (e ainda recebe), ele é um músico de primeira!



Deixe seu comentário após ver o vídeo.

Abraço,
Renato

P.S.: Uma breve palavra sobre o vídeo escolhido: Embora Kennedy e Casey sejam excelentes músicos e estejam acompanhados de uma excelente orquestra, confesso que prefiro outras gravações e não considero esta interpretação como sendo de referência. Os músicos tocam instrumentos modernos e tenho a tendência de valorizar mais uma interpretação historicamente orientada, com instrumentos (ou cópias) de época, com técnicas barrocas de performance. Isso de forma nenhuma diminui o valor do talento musical do grupo que postei aqui, mas recomendo que vocês ouçam outras gravações. A razão de eu não ter postado outra é a pobre qualidade de som dos vídeos que encontrei. Mesmo assim, dêem uma olhada na excelente performance conduzida por Nikolaus Harnoncourt, gravada em 1984 (links abaixo). No futuro, se eu conseguir material com qualidade de som e imagem melhor, repostarei o concerto com prazer.

http://www.youtube.com/watch?v=b0Xd0M15464
http://www.youtube.com/watch?v=Xpw-VPlCJro
http://www.youtube.com/watch?v=mLXvJZdY7Iw

08/03/2011

Compartilhamento Musical 30

Oi, gente!

No Compartilhamento Musical 28, sobre Rameau, uma leitora se assombrou com aquele instrumento de teclado que nunca tinha visto nem ouvido: o cravo. Prometi a ela que dedicaria o próximo CM ao instrumento.

Todo mundo sabe reconhecer um piano. No entanto, já é um pouco difícil dizer o mesmo a respeito do cravo, instrumento muito presente na época do Barroco. Pode ser que você veja um e pense que é um piano. Uma diferença importante entre os dois instrumentos é o mecanismo através do qual o som é produzido. As cordas de um piano são percutidas por uma espécie de martelo, que é acionado quando o músico pressiona uma tecla. Já no cravo, as cordas são percutidas após o toque de uma tecla, mas o mecanismo belisca a corda em vez de martelá-la. Uma conseqüência disso tem a ver com dinâmica do som. Enquanto no piano o músico pode obter um som forte ou suave, dependendo da força que aplica sobre a tecla, no cravo obtemos sempre a mesma intensidade, devido à diferença no mecanismo de produção do som. Para suprir essa limitação, alguns cravos têm jogos de cordas diferentes, que associam-se a teclados diferentes num mesmo instrumento. Por exemplo, em um mesmo cravo, podemos obter um som rico e vigoroso usando o teclado principal e, logo acima deste, outro teclado é usado para obterem-se sons mais suaves.

Alguns pensam que o cravo é o antecessor do piano. Eu também sou culpado, pois passei a vida dizendo isso, mas descobri recentemente que não é verdade (História da Música Ocidental – Jean & Brigitte Massin, Editora Nova Fronteira). São apenas primos com um ancestral comum: um instrumento chamado saltério, derivado da harpa, que podia ser arranhado com a unha ou com um plectro (uma espécie de palheta). O piano descende do saltério via um instrumento chamado dulcimer, que era percutido por pequenos martelos. Ao dulcimer acrescentou-se um teclado, com transmissão direta entre a tecla e o martelo. Daí originou-se o pianoforte, em meados do século XVIII. O piano suplantou o cravo porque correspondia a certo tipo de sensibilidade própria ao final do século. O cravo também descende do saltério, mas tem uma linhagem diferente. Vem da espineta, que introduziu um mecanismo ao saltério que lhe arranhava as cordas. No século XVI, da espineta veio o cravo, que também poderia ter um segundo teclado, trazendo a possibilidade de mudança de registro, como descrevemos acima.

Abaixo você pode visualizar os instrumentos que deram origem ao cravo e ao piano. Tratam-se de exemplos, pois cada instrumento pode se apresentar com aparências diversas:


Exemplo de harpa


Exemplo de saltério


O dulcimer descende do saltério e deu origem ao pianoforte. Por esta foto, obviamente, é difícil perceber isso, pois houve ainda vários estágios entre o instrumento aqui apresentado e o que hoje conhecemos como piano.


A espineta descende do saltério e deu origem ao cravo. Dá até para fazer um exercício de imaginação e tentar 'ver' uma harpa dentro desta espineta.

Hoje ouviremos Ton Koopman interpretando o primeiro dos três movimentos da Tocata BWV 916, em Sol maior, de Johann Sebastian Bach, ao cravo.


Aproveitem!



Deixe seu comentário após ver o vídeo.

Abraço,
Renato

24/12/2010

Compartilhamento Musical 29

Oi, gente!

Como é de costume no fim de dezembro, gosto de compartilhar partes do Oratório de Natal de Johann Sebastian Bach, BWV 248. Para uma introdução a esta obra, visite o CM 8.

Neste ano, resolvi postar um trecho maior: os quatro movimentos iniciais da quinta cantata do Oratório, originalmente apresentada no primeiro domingo do ano novo em 1735, durante o culto matutino na Nikolaikirche. A cantata retrata a viagem dos magos do oriente e sua adoração ao Salvador, Jesus.

I - Coro de abertura – Trata-se de uma explosão de louvor e gratidão a Deus por ter enviado ao mundo o Salvador.

II – Recitativo (tenor) – Passagem do Evangelho de Mateus a respeito dos magos do oriente

III – Coro e Recitativo (contralto) – O recitativo da contralto interrompe os magos, que buscam o Rei dos Judeus, dizendo “Busque-O em meu peito”. A contralto explica que este Rei dos Judeus é a luz que também veio para os gentios.

IV – Coral – Trata-se de um hino a Jesus, que transforma as trevas em luz.

A cantata prossegue com mais sete movimentos, dentre eles, uma ária, um trio, outros recitativos e um coral finalizando a obra. Quem tiver a oportunidade, escute a cantata na íntegra. Aliás, escute o Oratório todo; é música de excelente qualidade!

Meditem nas verdades apresentadas na letra deste trecho tão bem trabalhado por Bach!



Christoph Genz – tenor (evangelista)
Bernarda Fink – contralto
Monteverdi Choir
English Baroque Soloists
Sir John Eliot Gardiner – regente

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Abraço,
Renato

05/11/2010

Compartilhamento Musical 28

Oi, gente!

Quero apresentar a vocês um compositor francês de altíssimo gabarito: Jean-Philippe Rameau (1682 – 1774). Rameau contribuiu de forma considerável para a música com obras para cravo, obras sacras, óperas e livros sobre teoria musical, dentre os quais se destaca um importante tratado de harmonia escrito em 1722.

Pièces de Clavecin en Concerts (Peças para Cravo em Concerto) constitui sua única música de câmara. Nesta obra, o cravo não faz meramente o papel de acompanhamento (tipo baixo contínuo), mas é o coração da música, com sua parte escrita de forma completa, obbligato, e mostrando virtuosismo. Um violino e uma viola da gamba juntam-se ao cravo. Ocasionalmente, uma flauta pode substituir o violino ou um segundo violino pode substituir a viola da gamba.

Conheci Rameau através dessa obra, quando adquiri uma gravação com Jean-Pierre Rampal, famoso flautista, acompanhado por Isaac Stern (violino) e John Steele Ritter (cravo), na década de 1990. São obras muito dinâmicas e cativantes!

Hoje vocês apreciam o segundo movimento do terceiro concerto, com músicos do grupo Les Arts Florissants. São obras tão gostosas de ouvir, que quero já deixar declarada minha intenção de postar outras futuramente.



Béatrice Martin – cravo
Patrick Cohën-Akenine – violino
Nima Bem David – viola da gamba
Serge Saitta - flauta

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Abraço,
Renato

12/09/2010

Compartilhamento Musical 27

Oi, gente!

Franz Liszt (1811-1886) foi um grande compositor e pianista húngaro, notável tanto por seu gênio inovador, quanto por seu virtuosismo. É considerado por muitos um dos maiores pianistas de todos os tempos. Sua obra para piano solo “Estudos de Execução Transcendental” é uma série de 12 estudos compostos para músicos de altíssimo nível. O próprio Liszt deu nomes aos estudos, dos quais hoje compartilho dois:

O No. 8 ‘Wilde Jagd’, ou ‘Caça Selvagem’, é uma peça de caráter violento e explosivo, mas contém uma seção intermediária lírica belíssima (a partir de 1:58, no vídeo). Para tocar bem este estudo, o pianista deve ter muita resistência e pulsos firmes, mas também flexíveis.

O No. 12 ‘Chasse-Neige’, traduzido por alguns como ‘Tempestade de Neve’ ou ‘Redemoinhos de Neve’ (como prefiro), é meu estudo favorito na obra. Trêmolos, saltos longos e escalas cromáticas em alta velocidade, são algumas das dificuldades para o pianista. Percebam os ‘redemoinhos’ (a partir de 2:08, no vídeo) na mão esquerda, inicialmente.

Esses foram os dois primeiros Estudos Transcendentais de Liszt que ouvi na vida, há mais ou menos 13 anos. Fiquei tão impressionado com eles, que logo encomendei um CD para ouvir os outros. Hoje você vai ouvi-los na interpretação do excelente pianista russo Boris Berezovsky.

Boa audição!





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Dedico este CM a meu amigo Glauco Vieira Fernandes.

Abraço,
Renato